Escócia x Brasil: Por que último jogo da fase de grupos pode ser prévia para a Seleção nos 16 avos<?xml encoding="UTF-8">

A seleção brasileira chega à última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo liderando o Grupo C, com quatro pontos. Depois de um empate complicado contra Marrocos, na estreia, e um primeiro tempo dominante que garantiu a vitória contra o Haiti, agora é a vez da equipe de Carlo Ancelotti enfrentar a Escócia, nesta quarta-feira (24).

O italiano mudou a escalação e a ideia central de jogo para enfrentar o Haiti, o que deu resultados. Com um 4-3-3 com pontas tradicionais e um meio-campo mais dominante, Ancelotti parece ter encontrado uma fórmula positiva para o restante do Mundial.

Agora, diante da Escócia, o Brasil pode fazer um teste ainda mais firme já pensando na fase eliminatória: nos 16 avos de final, pode enfrentar Países Baixos ou Japão, duas equipes que se defendem em 5-4-1 — assim como a Escócia. E encontrar uma boa saída contra a defesa escocesa pode ser a chave para seguir na competição.

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Brasil tem o melhor teste para se preparar para os 16 avos

A seleção brasileira voltou ao 4-3-3 que se esperava com a convocação para o Mundial: Vinicius Júnior e Raphinha (e depois Rayan) nas pontas, com Matheus Cunha como um falso nove com liberdade para baixar entre as linhas. Foi assim que o time destravou a defesa haitiana, que também defendia em 5-4-1.

Contra o Haiti, no entanto, há diversos ressalvar a serem feitoa, sobre o desempenho adversário e o próprio brasileiro:

  • O Haiti não pressionava alto a construção brasileira, mas sua última linha de defesa ainda assim era muito alta;
  • Os zagueiros acompanhavam individualmente as movimentações brasileiras e facilmente quebravam a estrutura da linha, deixando ainda mais espaço;
  • Depois do 3 a 0 construído no primeiro tempo, a Seleção quase abdicou do jogo em termos ofensivos e só foi finalizar efetivamente (sem contar o gol impedido de Endrick) depois dos 90 minutos.
O técnico Carlo Ancelotti na partida entre Brasil e Haiti pela Copa do MundoO técnico Carlo Ancelotti na partida entre Brasil e Haiti pela Copa do Mundo. Foto: IMAGO / Gribaudi/ImagePhoto

O último tópico gera um misto de preocupação e compreensão: é entendível que o Brasil tenha diminuído o ritmo contra um adversário inferior com um jogo já ganho. Mas ainda assim, mostra como as mudanças de jogadores e principalmente de comportamento podem ser perigosas.

Contra a Escócia, no entanto, o teste promete ser mais próximo de um jogo “à vera” por diferentes motivos:

  1. Os escoceses se defendem melhor, mesmo com a estrutura igual de 5-4-1;
  2. Além de mais compactos, têm mais qualidade para ferir o Brasil em contra-ataques e bolas paradas;
  3. É uma partida quase eliminatória: caso perca e Marrocos vença, dependendo dos saldos, a Seleção pode acabar em terceiro lugar no grupo — ainda pode passar como um dos melhores terceiros, mas é um cenário que busca ser evitado.

Mais do que um duelo que pode ajudar Ancelotti a montar o time taticamente para enfrentar adversários seguintes, é também um teste anímico. Contra a Escócia, o Brasil pode dominar a posse, criar oportunidades nas costas da defesa, mas também sofrer com contra-ataques e velocidade na construção adversária.

O que Escócia, Países Baixos e Japão têm em comum para a atenção do Brasil

A tendência é que o Brasil enfrente Países Baixos ou Japão na próxima fase, nos 16 avos. É possível, claro, que não seja nenhum desses confrontos, a depender da posição que a Seleção acabe no seu grupo ou a disposição dos próprios adversário no Grupo F — mas é o cenário mais provável.

Enfrentar a Escócia imediatamente antes de um desses dois é positivo principalmente por questões táticas. Com uma linha defensiva composta por uma dobradinha de laterais-esquerdos, a Escócia pode ser o prelúdio do que o Brasil vai enfrentar posteriormente.

Hajime Moriyasu, técnico do Japão (Foto: Imago/AFLOSPORT)Hajime Moriyasu, técnico do Japão (Foto: Imago/AFLOSPORT)

Os escoceses defendem em 5-4-1, majoritariamente em bloco baixo, com Kieran Tierney e Andy Robertson como defensores pela esquerda. A ideia tende a ser negar espaços entrelinhas, com defensores e meias próximos, e contar com dobradinhas pelos lados para impedir os pontas agudos do Brasil de terem sucesso.

Tanto o Japão quanto os Países Baixos também defendem em 5-4-1, mesmo que de diferentes formas:

  • Os japoneses têm três zagueiros de bom passe e alas que geralmente são mais atacantes do que defensores;
  • Os neerlandeses, por sua vez, jogam em um 4-3-3 clássico do país, mas recuam Frenkie De Jong, o volante, para a primeira linha de defesa.

O time de Ronald Koeman tem em De Jong um jogador energético, mesmo que não um exímio defensor, que é bom em saltar pressão. O volante ajuda a povoar a linha em cruzamentos, mas tem qualidade para deixar a linha e pressionar o meia entrelinhas de forma inesperada.

Já o Japão tem grande disciplina em sua estrutura defensiva, mesmo com alas que são mais meias e pontas do que de fatos laterais. E, assim como a Escócia, é um time muito compacto quando defende baixo.

Comparando a derrota da Escócia para Marrocos e o empate japonês contra os Países Baixos, é evidente como a estrutura dos dois defendendo em blocos médio e baixo é muito parecida:

  • O bloco médio escocês tinha, em média, 42 metros de largura, 24 metros de comprimento e ficava a 39 metros da linha de fundo;
  • Os japoneses tinham um bloco médio de 41 metros de largura, 22 de metros comprimento e 37 metros de altura. Muito semelhante, mas, em média, ainda mais compacto;
  • Em bloco médio, são quase iguais: escoceses tinham, em média um bloco de 37m x 19m, a 21m da linha de fundo; os japoneses, 37m x 17m x 20m.

Nem Escócia, nem Países Baixos e muito menos Japão são times ferozes para pressionar alto. Contra a Suécia, o time de Koeman passou mais tempo em regiões altas na defesa, mas, contra o próprio Japão, passou 58% do tempo defensivo em bloco médio ou baixo.

Em uma partida contra a seleção brasileira, a tendência é que a posse seja mais dividida. Mas, mesmo que haja até mais posse adversária, dificilmente algum desses três times pressionaria o Brasil tão forte — defender mais baixo para se proteger deve ser o modus operandi natural.

Por isso, a partida contra a Escócia é a oportunidade perfeita de Carlo Ancelotti consolidar seu padrão de jogo. Com um 4-3-3 móvel, que tem atacantes rápidos e fortes em um contra um, meias habilidosos e dinâmicos, e um falso nove que pode ajudar a manipular a linha defensiva adversária, o teste máximo para esse modelo é contra os escoceses.

Se o resultado for positivo ou negativo, será no jogo contra a Escócia que o Brasil terá de olhar para se preparar para seu confronto nos 16 avos. Países Baixos e Japão, os prováveis próximos adversários, são mais competentes, mas partilham de características semelhantes — e que podem ser a chave para a Seleção passar de fase.