O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta quinta-feira (18) que não recua das críticas feitas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em meio ao caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em entrevista à rádio CBN Paraíba, Zema declarou que mantém a avaliação de que pessoas que se aproximaram do banqueiro devem ser vistas com reservas.

“Quem se aproximou do banqueiro bandido tem de ser visto com reservas”, disse Zema, reforçando o tom das críticas anteriores. O embate público teve início em 13 de maio, quando Zema usou as redes sociais para classificar a atitude do senador como “imperdoável”. Três dias depois, em 16 de maio, ele afirmou que o caso seria “página virada”, mas voltou a atacar Flávio Bolsonaro em 12 de junho, durante entrevista ao canal Brasil Paralelo, no YouTube.

Contexto do desentendimento

O relacionamento entre Zema e Flávio Bolsonaro, que já foi próximo e incluía especulações sobre alianças eleitorais na direita, se desgastou após a divulgação de mensagens e áudios pelo site “Intercept Brasil” no dia 13 de maio. As gravações mostram Flávio tratando Vorcaro como “irmão” e pedindo recursos para financiar o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a reportagem, Vorcaro teria pago R$ 61 milhões a Flávio. A Polícia Federal investiga se os valores foram usados para bancar a estadia de Eduardo Bolsonaro, outro filho de Jair, nos Estados Unidos.

Daniel Vorcaro está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, conforme a PF.

Reações e desdobramentos

As declarações de Zema geraram reações na família Bolsonaro. No último fim de semana, dia 15 de junho, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL), irmão de Flávio, publicou uma mensagem nas redes sociais sugerindo um “rompimento geral” com o partido Novo. Já Flávio Bolsonaro, em 15 de maio, afirmou que não tem motivos para se justificar com ninguém.

Zema, ao ser questionado sobre a possibilidade de recuar, foi categórico: “Não volta atrás”. O ex-governador também disse que agiu de acordo com seus princípios ao criticar o senador, mas que inicialmente considerou o assunto encerrado. A sequência de episódios mostra uma escalada na crise entre as lideranças da direita.