O pré-candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, afirmou nesta segunda-feira (15) que a declaração do deputado Eduardo Bolsonaro (PL) defendendo um "rompimento geral" entre PL e Novo foi um comentário isolado. Durante encontro com empresários e investidores no Rio de Janeiro, promovido pela Genial Investimentos, Zema disse que as duas legendas seguem aliadas em diversos estados e que, independentemente das disputas atuais, a direita estará unida em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Relacionamento com Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

Zema reafirmou as críticas que fez anteriormente ao senador Flávio Bolsonaro (PL) por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. O ex-governador de Minas Gerais voltou a chamar Vorcaro de "banqueiro bandido" e disse que não mudará sua posição sobre o episódio. "Esse sujeito, esse banqueiro bandido, mora lá desde sempre. Adivinhem quantos encontros eu tive com ele, como governador de Minas? Nenhum. Adivinhem quantas audiências ele pediu? Nenhuma. Porque ele já sabia a postura do meu governo", declarou Zema.

Cenário eleitoral e união da direita

O pré-candidato comparou a eleição brasileira com a do Chile, onde candidatos de direita se uniram no segundo turno contra a esquerda. "Ninguém da direita, num segundo turno, vai estar junto com o Lula, de forma alguma", afirmou. Zema disse que a disputa eleitoral definirá quem representará a direita na segunda etapa e que o eleitor ainda não está atento à campanha, recomendando cautela na interpretação das pesquisas atuais.

Programa de governo: 'três choques'

Zema apresentou as linhas gerais de seu plano, com três prioridades simultâneas: um "choque moral e ético", um "choque contra a gastança do Lula e do PT" e um "choque contra a criminalidade". Ele afirmou que o equilíbrio das contas públicas permitiria ampliar investimentos em educação, infraestrutura e saúde.

Ajuste fiscal e privatizações

O pré-candidato defendeu a venda de estatais para reduzir a dívida pública. Como exemplo, citou a privatização de 117 empresas em Minas Gerais, incluindo o avanço no processo de venda da Copasa. Zema criticou a gestão das estatais: "Hoje, estão todas aparelhadas, todas servindo a questões da politicagem, contratos duvidosos, cargos para quem não é competente".

Sobre o ajuste fiscal, afirmou que a combinação de reforma administrativa, reforma previdenciária e revisão dos programas sociais faria a taxa de juros cair "pela metade" em menos de um ano, citando o efeito do teto de gastos.

Relação com STF e Congresso

Zema disse esperar que a próxima legislatura tenha composição mais à direita e manifestou apoio ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, parlamentares sofrem pressão do eleitorado e ouve cobranças para "tirar esses bandidos do STF".

Revisão do Bolsa Família

O pré-candidato afirmou que pretende condicionar o recebimento do benefício à frequência em cursos de ensino médio ou de qualificação profissional, além de reforçar a fiscalização da frequência escolar das crianças. Zema disse que o programa gera uma "geração de imprestáveis" e citou homens que "ficam lá em casa, jogando videogame, assistindo série" enquanto recebem o benefício. Ele defendeu criar uma "porta de saída", mas afirmou que não quer extinguir o programa: "Não quero cortar de forma alguma, mas quero que o filho pequeno (...) passe a ter um acompanhamento melhor".

Disposição para medidas impopulares

Zema disse estar disposto a adotar medidas impopulares, mesmo que inviabilizem uma reeleição. Citou o ex-presidente Michel Temer como exemplo e afirmou que sua missão seria colocar o país "no rumo certo". Recordou sua gestão em Minas Gerais, quando recusou reajustes salariais acima da capacidade orçamentária: "Eu não darei 30%, eu darei cinco. É o que o orçamento do Estado comporta".