O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, propôs nesta quinta-feira (4/6) um encontro presencial com o presidente russo, Vladimir Putin, como parte de uma nova tentativa de encerrar a guerra iniciada em fevereiro de 2022. Em uma carta aberta, Zelensky afirmou que seria “errado simplesmente esperar” até que o conflito na Europa voltasse a ser o foco da atenção dos Estados Unidos e defendeu que a paz só pode vir “através do engajamento direto” entre os dois países.
Zelensky também pediu um cessar-fogo total durante o período das negociações propostas — algo que Putin já havia descartado mais cedo na quinta-feira. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que acharia “ótimo” se os dois líderes se encontrassem. O Kremlin confirmou ter recebido a carta e informou que Putin seria comunicado sobre seu conteúdo.
Em declarações a jornalistas estrangeiros em São Petersburgo, Putin afirmou estar “certamente preparado e disposto a chegar a um acordo com a Ucrânia”, mas ressaltou que certos compromissos seriam necessários. As negociações de cessar-fogo entre os dois países estão paralisadas nos últimos meses, desde o início da guerra com o Irã. Tentativas anteriores de paz, mediadas em Genebra, Abu Dhabi e Istambul, fracassaram.
Na carta, Zelensky escreveu: “Não é como se nós, na Ucrânia, estivéssemos preocupados com o destino dos soldados russos depois de tudo o que a sua guerra trouxe ao nosso país. Mas eu me importo com os ucranianos. Estamos perdendo nosso povo, e cada perda é dolorosa para nós.” Ele disse que os russos estão cansados dos ataques de drones e mísseis ucranianos, da escassez de gasolina e do aumento dos preços, bem como da guerra. “Não tenha medo de trilhar o caminho para fora desta guerra. É isso que mais se exige de você agora”, acrescentou.
Zelensky propôs que as negociações presenciais ocorram em um país como a Suíça ou a Turquia. A carta foi enviada no mesmo dia em que Putin participa de um importante fórum econômico em São Petersburgo. Na véspera, Kiev havia lançado um ataque com drones nos arredores da cidade, mencionado por Zelensky como uma “visita”. Em outro incidente, autoridades apoiadas pela Rússia na Crimeia ocupada culparam a Ucrânia pela morte de quatro pessoas em ataques a Simferopol. A Ucrânia afirmou ter atingido um depósito de combustível.
Durante uma coletiva de imprensa no fórum, Putin pareceu lançar dúvidas sobre a possibilidade de um encontro ou de qualquer acordo. “Se o Sr. Zelensky é um representante legítimo da Ucrânia, isso é uma questão para os advogados, para uma análise jurídica”, disse. Putin também sinalizou que ainda queria controlar toda a região de Donbas e sugeriu que a União Europeia poderia convencer Zelensky a se render. Em resposta, Zelensky acusou Putin de adiar regularmente seus próprios prazos para capturar partes da Ucrânia e mencionou especificamente a região de Donetsk: “Vocês não a capturarão”, afirmou.
O presidente Trump reconheceu a carta de Zelensky e disse acreditar que os EUA foram fundamentais para aproximar os dois países da paz. “Fico feliz que eles estejam talvez falando sobre se encontrar. Acho que tivemos muito a ver com isso”, declarou. Questionado sobre os compromissos que cada lado teria que fazer, Trump disse que “preferia não dizer” quais seriam, mas acrescentou: “Quero que cada um faça certos compromissos, e acho que eles vão fazer isso.”
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que a posição dos EUA em relação à Ucrânia “não era diferente” da de seus aliados europeus e acrescentou: “A guerra de Biden se tornou a guerra de Trump.”
Com informações de BBC News Brasil.