O vulcão Taftan, localizado no Irã, voltou a apresentar sinais de atividade após um longo período de inatividade. Cientistas identificaram deformações na superfície da montanha utilizando dados de radar do programa europeu Copernicus, revelando uma elevação de aproximadamente 3,5 polegadas no topo do vulcão ao longo de 10 meses de monitoramento.

A técnica empregada foi a interferometria por radar de abertura sintética (InSAR), que compara imagens capturadas em momentos distintos para medir variações topográficas. Os satélites Sentinel-1 foram responsáveis por capturar as imagens que permitiram rastrear as alterações no solo de forma contínua. Essa abordagem é essencial para monitorar estruturas isoladas como o Taftan, onde não há sensores físicos instalados em terra.

Condição atual e riscos

Segundo os pesquisadores, a deformação observada não indica uma erupção iminente ou perigo imediato de desastre regional. O fenômeno sugere um acúmulo interno de pressão gerado pela circulação intensa de gases quentes em rochas fraturadas. O Taftan é um estratovulcão íngreme, formado por camadas de cinzas e lava solidificada, que atinge mais de 12 mil pés de altitude perto da fronteira com o Paquistão. Ele libera vapores ricos em enxofre através de fumarolas.

Os cientistas identificaram que a origem do estufamento está localizada em uma profundidade rasa, entre 1.600 e 2.070 pés abaixo da superfície. O reservatório principal de magma encontra-se a mais de duas milhas de profundidade, indicando que o magma não está subindo rapidamente para a superfície. No entanto, o bloqueio do encanamento natural pode gerar riscos, como explosões repentinas de vapor superaquecido, liberação contínua de gases tóxicos e irritação nos olhos e pulmões dos moradores.

Comunidades afetadas

A cidade de Khash, localizada a cerca de 31 milhas do vulcão, é vulnerável aos gases tóxicos expelidos. Os pesquisadores recomendam medidas preventivas, incluindo a criação de mapas de perigo, definição de rotas de evacuação e divulgação de instruções públicas para orientar a população sobre os riscos.

Monitoramento futuro

A equipe de cientistas planeja realizar medições diretas dos gases expelidos, analisando variações de dióxido de carbono para determinar se a pressão interna continua aumentando ou encontrou uma rota de liberação segura. Além dos radares orbitais, defendem a instalação de sismômetros e GPS terrestres na montanha para captar tremores e mudanças em tempo real.

O estudo foi publicado na revista Geophysical Research Letters e destaca a importância do monitoramento contínuo para compreender a evolução do fenômeno geológico.

Com informações de Catraca Livre.