Os Bolsonaros ameaçam e atacam membros da própria família; não é de se estranhar que façam isso com adversários políticos e aliados menos fiéis. Ou seja, eles atacam e ameaçam todos que não se curvam à sua vontade, um comportamento de máfia ou milícia.

Assistimos hoje as consequências de se trazer o método miliciano para o centro da política brasileira: um show de horrores. Achacamento, ameaças, chantagens e agressões tornaram-se comuns nas relações políticas, com forte incidência na direita, justamente por influência da família.

Quem não se lembra da queixa de Gustavo Bebiano sobre um “gabinete do ódio” que seria construído em paralelo com a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) por Carlos Bolsonaro?

Recentemente, com as disputas naturais da política por vagas no Legislativo, aliados próximos da família Bolsonaro relataram a mesma dinâmica: discordaram do grupo de filhos e receberam uma enxurrada de ataques violentos.

Figuras como Ana Campagnolo e Nikolas Ferreira, jovens parlamentares bolsonaristas, apontaram recentemente a existência de tais ataques coordenados. Rodrigo Constantino, veterano da extrema direita brasileira, também sofreu com o método miliciano.

Agora, a própria Michelle Bolsonaro escancara esses ataques e, com isso, confirma a existência do gabinete do ódio. Não há mais dúvidas e, pelo momento histórico e acúmulo de provas, fica impossível qualquer relativização desse debate.

O fio que conecta a história dos Bolsonaro é recheado de violência como método. Seja pelo início da vida do patriarca, expulso do Exército, passando pela política do Rio de Janeiro com condecoração e contratação de milicianos que compunham um grupo de assassinos; seja na Presidência da República, recheada de ameaças públicas em carros de som e ataques violentos na internet contra adversários.

Por isso, o vídeo de Michelle é um marco histórico de uma fuga de verdade no teatro da família. E essa ruptura é mais uma prova de que a violência sempre foi o método da família Bolsonaro.

Vejamos que o grupo de filhos coordena ataques sistemáticos à esposa de seu próprio pai, que também é mãe da irmã caçula deles e que também tem cargo institucional no mesmo partido deles.

Tamanho absurdo não deixa dúvidas: a violência, para os Bolsonaros, é maior do que a família e a política partidária; a violência é o principal método deles, assim como é para as milícias.