O artista plástico Vik Muniz concedeu entrevista à revista Veja sobre sua trajetória e a exposição Vik Muniz — A Olho Nu, que chega ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro com 220 obras. A mostra já havia passado por Recife e Salvador, onde foi vista por mais de 150 mil pessoas.
Segundo Muniz, a última grande exposição sua no Brasil ocorreu há mais de uma década, impulsionada pelo documentário Lixo Extraordinário (2010). O artista afirmou que deseja mostrar seu trabalho a pessoas que não o viram na primeira vez e considera importante aproximar o público jovem da arte. "Me preocupo em criar vias de comunicação tanto com pessoas que entendem e estudam arte quanto com um público sem ligação com o assunto", declarou.
O documentário Lixo Extraordinário, indicado ao Oscar de melhor documentário, retratou o cotidiano de catadores no aterro do Jardim Gramacho, no Rio, e passou a ser usado como material de apoio em escolas. Muniz afirmou que, após o filme, passou a dar mais atenção à reciclagem e à transformação de materiais descartados. "Passei a olhar com mais atenção para o valor das coisas e das pessoas. Alguém que trabalha no lixo tem a capacidade não só de compreender a beleza, como também de participar de um processo artístico de forma criativa e relevante", disse.
Para diminuir a distância entre a arte e o público, Muniz defende que a arte não é privilégio de poucos, mas direito de todos. Ele citou o projeto Lugar Comum, em Salvador, que consiste em uma galeria dentro da feira de São Joaquim. "A arte precisa ser cada vez mais democrática", afirmou.
Um dos destaques da exposição é a série Museu de Cinzas, composta por imagens feitas com as cinzas reais do incêndio do Museu Nacional, em 2018. Muniz contou que ficou arrasado com o ocorrido e propôs a criação das obras para arrecadar fundos para a reconstrução, em parceria com a UFRJ e a PUC-Rio. A partir de segunda-feira, 8, serão expostas mais obras da série, incluindo a reconstrução do fóssil da Luzia — crânio de 13 mil anos — na Sala das Vigas do Museu Nacional, local onde o incêndio começou. "É emocionante poder contar essa história e fechar esse ciclo", concluiu.
Com informações de Veja.