Em outubro de 2020, no auge da pandemia de covid-19, o então presidente Jair Bolsonaro demonstrou desconhecer o funcionamento do Pix, sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central naquele ano. O episódio foi registrado em vídeo durante uma conversa com apoiadores no cercadinho em frente ao Palácio da Alvorada, e recuperado pelo jornal Folha de S.Paulo.

Na gravação, um apoiador parabeniza Bolsonaro pelo novo sistema: "Parabéns pelo Pix, presidente, novo sistema do Banco Central que vai ajudar a população com pagamentos". O então presidente, no entanto, responde sobre outro assunto, mencionando uma medida do então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, para desburocratizar a aviação civil.

Diante da correção do apoiador, que explica que o Pix permite pagamentos 24 horas por dia, sete dias por semana, Bolsonaro afirma: "Não tomei conhecimento. Vou conversar essa semana com o Roberto Campos". Apesar de já ter mencionado o Pix em suas redes sociais em fevereiro de 2020, o que sugere que outra pessoa tenha feito a publicação, o ex-presidente aparentava não ter familiaridade com o sistema.

O contraste com o conhecimento sobre a cloroquina, amplamente defendida por Bolsonaro durante a pandemia, é destacado no relato. Segundo a reportagem, o ex-presidente só veio a se inteirar do Pix quando passou a receber doações de seguidores para custear sua defesa no processo que investiga uma tentativa de golpe de Estado. Em 2025, ele arrecadou mais de R$ 40 milhões e afirmou ter gasto pelo menos R$ 8 milhões com advogados.

O episódio é apontado como um exemplo do comportamento da extrema direita, citando ainda que o ex-juiz Sergio Moro nunca leu uma biografia, que Tarcísio e Flávio Bolsonaro acreditam que Israel adora Jesus Cristo, e que parte dos eleitores desse grupo acredita em teorias como a Terra plana e em falhas de comunicação com marcianos para justificar o fracasso do golpe.

Com informações de Diário do Centro do Mundo.