O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, fez duras críticas nesta quinta-feira (18) aos israelenses que se opõem ao acordo com o Irã, afirmando que o presidente Donald Trump é o único aliado de Israel. Durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, Vance defendeu o acordo firmado nesta semana para encerrar a guerra com o Irã, que tem sido criticado nos EUA e em Israel por não conter o programa de mísseis iraniano e não oferecer um caminho claro para o desmantelamento de suas instalações nucleares, além de restringir Israel em sua luta contra militantes do Hezbollah no Líbano.
Vance rebate críticas israelenses
Questionado sobre uma reportagem de que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, estaria furioso com o acordo, Vance disse não ter ouvido tais comentários do premiê, mas criticou membros de seu gabinete que, segundo ele, atacaram Trump pessoalmente. “Minha mensagem para eles seria dupla. Primeiro: Donald J. Trump é o único chefe de Estado em todo o mundo que demonstra simpatia pela nação de Israel neste momento”, afirmou. “Se eu estivesse no gabinete do governo israelense, talvez não tivesse atacado o único aliado poderoso que me resta em todo o mundo.”
Vance lembrou que dois terços das armas defensivas que protegem Israel “foram fabricadas por mãos norte-americanas e pagas com o dinheiro dos contribuintes norte-americanos”. Os Estados Unidos fornecem a Israel cerca de US$ 4 bilhões em assistência militar por ano e negociam um novo acordo de ajuda. “O problema para Israel não é Donald J. Trump, e qualquer pessoa em Israel que ache que seu maior problema é o presidente dos Estados Unidos precisa acordar e enxergar a realidade”, completou.
Tensões entre EUA e Israel
Autoridades israelenses de alto escalão, sob anonimato, afirmaram que os termos do acordo eram ruins para Israel por não abordarem as preocupações sobre o programa nuclear e de mísseis balísticos do Irã, visão que, segundo eles, é compartilhada por toda a liderança israelense. Trump, durante considerações finais na cúpula do G7 na França na quarta-feira, minimizou as preocupações, sugerindo que Netanyahu poderia adotar uma “abordagem mais branda” na luta contra o Hezbollah no Líbano.
Netanyahu, em seus primeiros comentários públicos após o acordo, declarou que Israel valoriza sua relação com os EUA, mas continuará a ocupar o sul do Líbano para garantir a segurança dos cidadãos. “Isso exige a manutenção da faixa de segurança no sul do Líbano; exige que não saíamos de lá enquanto as necessidades de segurança de Israel assim o exigem”, disse. Israel publicou um mapa mostrando uma zona de controle militar ampliada no sul do Líbano e afirmou que não descartaria ataques além dela, desafiando os termos do pacto.
Vance critica ministros israelenses de extrema direita
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, figura de extrema-direita na coalizão governamental, criticou duramente o acordo e defendeu a permanência das tropas israelenses no Líbano. Em entrevista ao New York Times, Vance criticou Ben-Gvir e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich: “Qual é exatamente a sua proposta? Vocês são um país de 9 milhões de pessoas. Não dá para simplesmente matar para resolver todos os problemas de segurança nacional que vocês têm”. Vance considerou “todo esse alvoroço em Israel um pouco estranho” e disse acreditar que decorre de falta de confiança, mas que os EUA conquistaram essa confiança na região.
Em resposta, Ben-Gvir publicou na rede social X: “Esta é a proposta… Lidar com os nazistas do século 21, assim como os Estados Unidos lidaram com os nazistas do século 20”. Após as declarações de Vance, Trump postou nas redes sociais encorajando todos no Oriente Médio a manterem o compromisso com as negociações. “Esperamos um cessar-fogo total em todas as frentes, incluindo o Líbano, o Hezbollah e Israel”, escreveu.
O gabinete de Netanyahu e o Ministério das Relações Exteriores de Israel não responderam a pedidos de comentário.