O uso de informações públicas para treinar modelos de inteligência artificial não infringe leis, afirmou Varun Shetty, vice-presidente de parcerias de mídia da OpenAI, nesta terça-feira (2), durante o congresso anual da Wan-Ifra (Associação Mundial de Editores de Notícias), em Marselha, no sul da França.
O discurso ocorreu um dia após o publisher do New York Times, A.G. Sulzberger, dizer que os chatbots praticam "um roubo descarado de propriedade intelectual em escala sem precedentes". Shetty respondeu: "Discordamos respeitosamente daqueles que argumentam que esse uso é ilegal. Acreditamos que a natureza transformadora, a inovação e a utilidade pública desses sistemas são coerentes com a lei de direitos autorais, como os tribunais dos EUA têm repetidamente reconhecido."
O executivo afirmou que quis abordar o tema porque essa discussão "pode ser pintada com pinceladas amplas e generalizantes". Ele destacou que a busca no ChatGPT é "uma parte muito pequena de como as pessoas usam a experiência".
A OpenAI é criadora do ChatGPT, e o New York Times move uma ação contra a empresa e a Microsoft por roubo de propriedade intelectual, o que as companhias negam. No fim do mês passado, a Folha e o UOL anunciaram o primeiro acordo comercial entre empresas de mídia brasileiras e a OpenAI, encerrando uma ação judicial movida pela Folha.
Sulzberger pediu uma resposta conjunta da imprensa à mineração de dados sem compensação financeira. Shetty declarou que a missão da OpenAI é garantir que a IA beneficie a humanidade e que as ferramentas da empresa devem servir ao jornalismo. "Acreditamos fortemente que a missão importa", disse.
Tom Rubin, chefe de propriedade intelectual e conteúdo da OpenAI, também discursou e afirmou que o objetivo é capacitar repórteres e veículos de notícias. "Não ditamos, não impomos, e infelizmente não podemos resolver todos os problemas que a indústria jornalística vem enfrentando nos últimos 20 anos", disse.
Shetty citou exemplos de jornais que incorporaram IA nas tarefas diárias, como o Codex, agente de codificação baseado em ChatGPT, que melhora a produtividade. "Isso pode significar resumir documentos, preparar perguntas para entrevistas, traduzir material de fontes, analisar planilhas ou organizar pesquisas", explicou. Ele ressaltou que a IA não toma decisões editoriais, mas reduz o trabalho repetitivo, liberando tempo para reportagens originais.
Com informações de Folha — Tec.