O debate público nas eleições brasileiras enfrenta um novo desafio com a disseminação de avatares sintéticos criados por inteligência artificial para atacar adversários políticos. Segundo um monitoramento do Centro de Estudos sobre Democracia Digital, divulgado em abril de 2026, quase 100% dessas contas operam impunemente, sem identificação de seus responsáveis.
O relatório detalha o funcionamento desses perfis no ambiente político fluminense. As contas, com rostos fotográficos perfeitos e vozes moduladas com sotaques regionais, são programadas para ofender e difamar candidatos específicos. Enquanto isso, o candidato beneficiário mantém uma postura pacífica nos debates televisionados.

Mecanismo de blindagem
Marqueteiros criam candidatos virtuais com a única finalidade de atacar adversários de forma agressiva e contínua. A blindagem da figura do político real ocorre pela transferência estratégica da rejeição para um robô, que é projetado exclusivamente para ser odiado. A arena eleitoral se transforma em um teatro macabro, onde máquinas interativas assumem o trabalho de calúnia encomendada.
Especialistas alertam que, embora alguns defendam a desregulamentação total das redes, o eleitor tem o direito de debater diretamente com seres humanos, que estão sujeitos à lei penal. A inteligência generativa permite fabricar influenciadores digitais falsos, que adquirem milhões de seguidores e disseminam ataques predeterminados.

Dificuldades jurídicas
O sistema jurídico enfrenta dificuldades para encontrar o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) responsável pelas ações dos avatares. O crime ocorre sem sujar as mãos do mandante, e a imunidade algorítmica fomenta a barbárie na escolha dos governantes.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) age com contundência ao suspender o repasse do fundo partidário para campanhas que utilizam essas táticas. A legislação precisa responsabilizar solidariamente o partido político beneficiado, caso fique comprovada a ligação financeira com os perfis falsos. As plataformas têm a obrigação de remover essas contas do ambiente digital.
Propostas e desafios
Entre as medidas sugeridas estão a exigência de comprovação de identidade biométrica humana na abertura de cadastros para perfis hiper-realistas. A mentira programada não está protegida pela garantia constitucional da livre expressão, segundo analistas.
A preservação da integridade do processo democrático exige o combate às estruturas artificiais criadas para manipular o debate público. A divergência legítima deve nascer da razão, dos fatos e da atuação de lideranças reais, não de estratégias de guerra cibernética que corroem a confiança coletiva nas instituições.