De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), 84% dos jovens que estão no último ano do ensino médio já utilizaram anabolizantes com o objetivo de melhorar a aparência física e o desempenho esportivo. O nutricionista esportivo Danilo Macena, diretor da Clínica Macena Saúde Suprema, afirma que a busca por performance se torna arriscada quando a saúde é deixada de lado.

“O problema começa quando o corpo deixa de ser cuidado e passa a ser tratado como objeto de cobrança constante, sem respeito fisiológico ou emocional. A pessoa, então, começa a sacrificar o sono, a saúde, as relações sociais e a segurança física em troca da aparência ou performance”, explica Macena.

O especialista destaca que um dos principais riscos é tratar os esteroides como algo simples ou inofensivo. “Sem dúvida, o principal risco é confundir um esteroide anabólico com algo simples e inofensivo. Entre os problemas que podem ser causados estão hipertensão, infarto, AVC, alterações cardíacas, infertilidade, acne severa, alterações psiquiátricas e dependência psicológica”, alerta.

Na avaliação do nutricionista, a dependência não se limita ao uso da substância, mas também à imagem construída por ela. Quando a pessoa interrompe as aplicações e perde parte dos resultados, pode desenvolver sofrimento emocional e distorção da própria aparência.

“Uma vez que o jovem enxerga o físico de um bodybuilder como referência e acredita que os anabolizantes aceleram o processo, ele pode não querer parar. É um físico alugado, porque os resultados somem quando o uso é interrompido, e isso pode gerar ansiedade, depressão e distorção de imagem”, analisa.

Macena ressalta que o acompanhamento profissional tem papel de orientação e redução dos riscos, focando na sustentação da saúde e longevidade. O profissional orienta jovens que estão iniciando no fisiculturismo a evitarem atalhos e comparações irreais. “Resultados sólidos levam tempo. Não existe transformação sustentável baseada em atalhos extremos. O mais importante é construir um físico saudável, funcional e compatível com longevidade, biotipo e estrutura, sempre acompanhando exames”, diz.

Para o nutricionista, a construção de um bom físico começa pela compreensão de que estética e saúde não devem caminhar em lados opostos. Segundo ele, o objetivo do treino deve ser melhorar a qualidade de vida, a força, a disposição e a relação da pessoa com o próprio corpo.

“O exercício, a alimentação e a estética precisam trazer benefícios. A pessoa precisa se olhar no espelho e enxergar que está bem, sem transformar esse processo em autodestruição ou em comparação constante”, afirma.

Macena destaca que uma alimentação saudável para quem busca evolução física deve ser suficiente, equilibrada e funcional. A dieta deve oferecer energia e garantir a funcionalidade do organismo.

“É preciso organizar uma alimentação voltada ao ganho de massa muscular ou à perda de gordura de forma adequada. Também é importante manter o intestino funcionando bem e usar alimentos que tenham funcionalidade para favorecer a saúde e a performance. A alta performance exige disciplina, mas também exige inteligência fisiológica e equilíbrio do corpo”, orienta.

O nutricionista conclui que, sem longevidade e saúde, é inviável ter resultados consistentes, pois eles demandam tempo e respeito ao corpo. “O mais importante é construir um físico saudável, funcional e compatível com longevidade, biotipo e estrutura. Resultados sólidos levam tempo, e esse processo precisa respeitar o corpo”, finaliza.

Com informações de CartaCapital.