A Índia pretende mais do que dobrar suas exportações para os países do BRICS até o fim da década, segundo projeções divulgadas pela Associação das Câmaras de Comércio e Indústria do país (Assocham).
As vendas indianas para os membros do bloco podem passar dos US$ 96 bilhões registrados no ano fiscal de 2025/26 para US$ 200 bilhões em 2030.
A expectativa, segundo a Assocham, é de que esse crescimento seja impulsionado pelo avanço da manufatura indiana e pela ampliação do comércio no âmbito do BRICS, que hoje reúne 11 países: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.
Os membros do bloco concentram, juntos, cerca de 40% do PIB mundial em paridade de poder de compra, aproximadamente um quarto de todo o comércio global e quase metade da população do planeta.
Nova Déli tem investido em programas de atração de capital para os setores industriais da economia, a fim de aumentar sua competitividade exportadora. A participação da Índia nas importações totais do BRICS deve alcançar 4% até 2030.
Entre 2025 e 2026, o comércio total do país com o bloco — considerando importações e exportações — já alcançou US$ 417 bilhões.
Segundo um estudo realizado pelas câmaras de comércio indianas, os principais setores responsáveis pelo aumento do comércio, sobretudo no campo exportador, são eletrônicos, minerais, metais e produtos químicos, automóveis e autopeças, têxteis, produtos de engenharia, farmacêuticos e alimentos processados, além de gemas e joias.
O BRICS também já ocupa posição central no comércio exterior do Brasil. Em 2024, o intercâmbio comercial com os países do grupo correspondeu a cerca de 35% da corrente de comércio brasileira, com mais de US$ 121 bilhões em exportações.
Com a Índia, o Brasil mantém diversas parcerias formalizadas por meio de Memorandos de Entendimento (MoUs) e acordos estratégicos, com foco sobretudo nos setores de minerais críticos e terras raras, compartilhamento de tecnologia e pesquisa científica.
Em parceria com a Embraer, além disso, a Índia definiu recentemente a produção conjunta do cargueiro C-390 Millennium, com a instalação de uma linha de montagem da aeronave em território indiano, sob operação do conglomerado Mahindra Group.
O objetivo do acordo, que prevê a aquisição de 60 aeronaves por parte da Índia, é substituir as frotas indianas dos modelos mais obsoletos Antonov An-32 e Ilyushin Il-76. O formato “Buy and Make” (Comprar e Fabricar) estabelece que as 12 primeiras unidades sejam importadas do Brasil, enquanto as 48 restantes terão fabricação local no âmbito do programa Make in India.