O Laboratório de Tecnologia Contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), vinculado ao Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol), identificou, ao longo de 2025, 69 mil contas bancárias que movimentaram R$ 9,6 bilhões com indícios de lavagem de dinheiro. Os dados foram divulgados pela própria corporação.

Desse total, parte dos valores está relacionada à Operação Vérnix, deflagrada no mês passado. A investigação apontou que uma transportadora de fachada era usada para lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação resultou na prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra.

Estrutura e produção de relatórios

O LAB-LD está localizado no 18º andar do Palácio da Polícia, no centro da capital paulista. Em 2025, a unidade produziu 130 relatórios técnicos baseados na análise dessas contas.

Segundo a Polícia Civil, um desses relatórios fundamentou investigações que levaram ao bloqueio de mais de R$ 327 milhões, além da apreensão de 17 veículos de luxo e quatro imóveis.

Operação Vérnix e denúncias

A Operação Vérnix, realizada em parceria com o Ministério Público, aponta que os investigados integravam organização criminosa que mantinha esquema de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e contas laranjas.

Com base nessa investigação, a Justiça paulista aceitou denúncia contra Deolane Bezerra, Marcos Willian Herbas Camacho (o Marcola, principal líder do PCC), seu irmão Alejandro Herbas Camacho Júnior e Everton de Souza, apontado como operador financeiro. Também foram denunciados Leonardo Alexsander Ribeiro e Paloma Sanches, sobrinhos de Marcola, que estão foragidos.

Manifestações das defesas

A defesa de Deolane Bezerra, composta pelos advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes, afirmou que o recebimento da denúncia não representa conclusão sobre os fatos. Em nota, eles disseram que a influenciadora irá se defender das acusações na Justiça.

O advogado Bruno Ferullo, que defende Marcola, seu irmão e os dois sobrinhos, informou, também em nota, que contestará as acusações de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Outras operações e regras recentes

A Operação Scream Fake, deflagrada no ano passado, também contou com apoio do LAB-LD. Na ocasião, foram cumpridos 12 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão contra advogados e dirigentes de uma ONG suspeitos de atuar a favor do crime organizado. A entidade, que alegava defender direitos de presos, seria usada para lavar dinheiro e oferecer procedimentos estéticos a integrantes da alta cúpula do PCC.

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, destacou a importância do laboratório: “É um setor que presta apoio às delegacias e departamentos especializados da Polícia Civil, mas com a função de rastrear o dinheiro. Hoje vemos criminosos criando alternativas para esconder a origem ilícita dos bens adquiridos, mas é por meio do trabalho dessa equipe especializada que conseguimos identificar as irregularidades e deflagrar ações de combate”.

Desde abril, uma portaria da Delegacia Geral de Polícia determinou que as unidades policiais informem as medidas tomadas a partir dos relatórios técnicos do laboratório, como instauração de inquéritos, prisões, apreensão de bens e recuperação de valores.

A norma também estabeleceu regras mais rigorosas para a solicitação e uso de informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que agora devem estar vinculadas a inquéritos policiais formalmente instaurados. A mudança visa ampliar a rastreabilidade das investigações e mensurar os resultados obtidos com o trabalho do LAB-LD.