Mais de 1 bilhão de crianças em todo o mundo estão expostas a pelo menos três perigos climáticos simultaneamente, de acordo com um relatório divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O estudo analisou a localização de cerca de 2,4 bilhões de crianças e a distribuição geográfica de oito impactos climáticos comuns.
Riscos climáticos mapeados
O relatório considerou oito fenômenos: inundações costeiras e fluviais, secas, tempestades tropicais, ondas de calor, calor extremo, incêndios florestais e tempestades de areia. Desse total, 1,1 bilhão de crianças estão expostas a pelo menos três dessas ameaças. O número de afetados aumentou significativamente nos últimos 20 anos, aponta o estudo.

Quase todas as crianças — cerca de 2,3 bilhões — enfrentam no mínimo um dos oito riscos. Já 123 mil crianças estão expostas a sete ou mais perigos, sendo que 46 mil delas vivem em Mianmar.
Ameaças concentradas em regiões específicas
“As crianças estão na linha de frente do impacto das mudanças climáticas”, afirmou Catherine Russell, diretora-executiva do Unicef. O relatório identificou pontos críticos especialmente na África Subsaariana e no sul da Ásia. Países com grandes populações infantis, como Bangladesh, Índia, Nigéria e Paquistão, lideram a lista de crianças expostas a três ou mais riscos.
“Vemos alguns pontos críticos (…) bastante concentrados na África Subsaariana e em partes do sul da Ásia”, explicou à AFP Tom Slaymaker, um dos autores do estudo.
Vulnerabilidade agravada pela falta de serviços básicos
Os impactos climáticos são frequentemente intensificados pela incapacidade dos governos de enfrentar as mudanças climáticas. No Chade, por exemplo, crises humanitárias com acesso limitado a água, eletricidade e alimentos afetam mais de 95% das crianças — uma das proporções mais altas do mundo —, que estão expostas a pelo menos três perigos.
Embora crianças de países pobres e ricos estejam sujeitas a essas ameaças, “não são iguais diante dos riscos”, destacou Slaymaker. O Unicef enfatizou a maior vulnerabilidade das crianças conforme o acesso a serviços básicos como saúde, alimentação, água, educação e proteção.
A agência da ONU publica o estudo com o objetivo de auxiliar os Estados na preparação para o agravamento previsto do impacto do aquecimento global.