A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), havia solicitado anteriormente à prefeitura de Limeira (SP) que bloqueasse o acesso de pessoas à Ponte do Esqueleto. No último sábado (13), a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu no local após ser arremessada de uma altura de aproximadamente 40 metros — equivalente a um prédio de 12 andares — sem estar presa a cordas, durante um salto de rope jump.

Histórico de acidentes e pedidos de bloqueio

A Ponte do Esqueleto, localizada na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior paulista, é uma estrutura viária da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA) que nunca foi concluída e está desativada há anos. O local se tornou um ponto turístico informal e é utilizado para a prática de esportes radicais. Segundo a SPU, em 2024, após um acidente fatal envolvendo uma ciclista, foi solicitado às prefeituras locais que bloqueassem o acesso à ponte. “Em 2024, em função dessa parceria, a ponte foi bloqueada por alguns meses. Posteriormente, a reabertura foi discutida e defendida por empresários locais em sessão na Câmara de Vereadores de Limeira”, informou o órgão em nota.

O acidente fatal

Maria Eduarda, moradora de Jandira, morreu no sábado (13) após ser arremessada da Ponte do Esqueleto sem estar amarrada a uma corda de segurança. A atividade era parte de um rope jump, esporte radical em que o praticante salta de locais elevados preso a cordas. O esporte foi criado por Dan Osman, que morreu em 1998 após a corda de segurança falhar durante a prática no Parque Nacional de Yosemite, nos Estados Unidos.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, a morte ocorreu durante uma atividade promovida por uma empresa privada, que não amarrou a corda na jovem antes do salto. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou o óbito no local. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal. Após a morte, a Polícia Militar prendeu três homens em flagrante por homicídio com dolo eventual.

Tensão entre prefeitura e governo federal

No dia do acidente, a prefeitura de Limeira anunciou que processaria o governo federal por omissão. Em nota, a administração municipal afirmou que, desde 2025, vinha cobrando providências dos órgãos federais responsáveis pela Ponte do Esqueleto. “A tragédia deste sábado (13), que resultou na morte de uma jovem de 21 anos, torna insustentável e inaceitável a continuidade dessa omissão. A responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à Ponte do Esqueleto é exclusivamente do Governo Federal. A administração municipal e a Câmara Municipal, por iniciativa da vereadora Bruna Magalhães, já haviam encaminhado ofícios aos órgãos responsáveis cobrando medidas de segurança. Nenhuma providência concreta foi adotada”, diz a nota.

Já a Secretaria de Patrimônio da União defende que os poderes públicos precisam decidir de forma conjunta o futuro da ponte. “Entendemos que os poderes públicos de todos os níveis precisam, imediatamente, juntar esforços para evitar de forma definitiva o acesso à ponte do Esqueleto e coibir atividades ilegais”, afirmou o governo federal.

Responsabilidade legal

Em entrevista à TV Brasil, o advogado Arthur Rollo, ex-secretário nacional de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, afirmou que a responsabilidade é solidária entre União e município. Segundo ele, o acesso à ponte é responsabilidade da União, mas o município deveria controlar e autorizar as atividades de lazer no local. “A responsabilidade, nesse caso, é solidária, ou seja, simultaneamente da União e da prefeitura de Limeira porque a área é federal e, sendo federal, caberia à União fazer a sua gestão. E, de outro lado, caberia também à prefeitura de Limeira fazer a fiscalização de empresas e profissionais que atuam naquela área e não têm alvará para atuar e não tem licença ou qualificação técnica para atuar”, explicou.

Rollo destacou que o caso serve de alerta para outras regiões do país. “Isso é um alerta para todas as autoridades públicas e prestadores de serviços de aventura para que adotem providências para evitar novas mortes porque, infelizmente, não são incomuns essas mortes em atividades de aventura.”