A União Europeia (UE) oficializou, na sexta-feira, 5, a exclusão do Brasil da lista de países que cumprem as normas europeias para uso de antimicrobianos na pecuária, o que impede a exportação de carne brasileira para o bloco. A proibição entra em vigor no dia 3 de setembro e afeta não apenas a carne bovina, mas também a de frango, tripas, peixe e mel.
Segundo documento publicado pelo bloco, o Brasil não apresentou informações que comprovem a conformidade com as regras da UE para antimicrobianos. O governo brasileiro entregou dados sobre o tema em 21 de maio, uma semana antes do prazo final, e teria solicitado autorização para se adaptar à legislação europeia até 2029.
A decisão atinge um mercado de 450 milhões de pessoas. Outros produtores do Mercosul, como Argentina e Uruguai, continuam autorizados a vender para o bloco. A região sul-americana avançou na integração com a UE a partir do acordo de livre comércio assinado no início do ano.
“A Comissão Europeia confirma que o Brasil não está incluído na lista, o que significa que não poderá mais exportar para a União Europeia produtos (tanto animais vivos destinados à produção de alimentos quanto produtos derivados), como bovinos, equinos, aves, ovos, produtos da aquicultura, mel e tripas, a partir de 3 de setembro de 2026”, afirmou Eva Hrncirova, porta-voz europeia para a saúde, em comunicado ao portal Euractiv, em meados de maio.
Ela acrescentou que o Brasil deve garantir o cumprimento das exigências da UE “durante toda a vida útil dos animais”. “Assim que o cumprimento for comprovado, a União Europeia poderá autorizar ou retomar as exportações”, completou.
A medida reflete o desejo do bloco de enviar um sinal de vigilância, após críticas do setor agrícola europeu e do governo da França, onde fazendeiros têm pressionado o presidente Emmanuel Macron por causa do acordo de livre comércio com o Mercosul. “Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, afirmou o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, em maio.
Com informações de Veja.