A União Europeia oficializou, na sexta-feira (5 de junho de 2026), a exclusão do Brasil da lista de países que cumprem as regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária, o que autorizava a exportação de carnes para o bloco. Com a medida, o Brasil fica proibido de exportar carne bovina, de frango, de cavalo, tripas, peixe e mel para a União Europeia a partir de 3 de setembro de 2026.
O anúncio da retirada do Brasil da lista havia sido feito em 12 de maio. Segundo o documento publicado na sexta-feira, o Brasil não apresentou as informações exigidas pela Comissão Europeia para comprovar que a carne e outros produtos de origem animal do país atendem aos requisitos da UE sobre antimicrobianos. Essas substâncias são usadas na pecuária para tratar ou prevenir infecções e acelerar o crescimento do rebanho.
A legislação europeia proíbe o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais, além de vetar medicamentos considerados essenciais para o tratamento de infecções humanas. A exclusão do Brasil da lista tem impacto direto na balança comercial do agronegócio brasileiro, já que a UE é o 2º maior mercado comprador de carnes do Brasil, atrás apenas da China. No caso específico da carne bovina, o bloco europeu é o 3º principal destino, superado pela China e pelos Estados Unidos, segundo o Agrostat (Sistema de Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro).
Os demais países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) continuam autorizados a exportar carne bovina para a União Europeia. Caso o Brasil permaneça sob restrição, os produtores brasileiros não poderão exportar para os países do bloco. O Poder360 questionou o Itamaraty e o Ministério da Agricultura sobre a decisão, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.
Com informações de Poder360.