Segundo informações divulgadas pelo Canal Rural, o Estado de São Paulo registrou a primeira variedade brasileira de limão caviar, um arbusto nativo da região subtropical da Austrália cujos gomos de sumo se assemelham a pequenas ovas de caviar.

A variedade paulista, que começou a ser desenvolvida há três anos, foi registrada oficialmente no Registro Nacional de Cultivares (RNC). A cultivar Faustrime, desenvolvida pelo Instituto Agronômico (IAC), pode passar a ser comercializada no Brasil ainda em 2026, informa o portal.

A espécie de limão é usada principalmente na alta gastronomia, devido ao seu elevado valor de mercado. O limão caviar pode chegar a valer R$ 1.200 por quilo.

De formato mais alongado, em vez de oval, como são as variedades mais comuns de limão, ele lembra um pequeno pepino de casca menos espessa e coloração verde-escura, medindo entre 4 cm e 12 cm.

A casca fina e rugosa revela, no interior, pequenas partículas cheias de sumo, formando gomos que se assemelham a ovas de peixe. Os gomos são crocantes e explodem na boca, liberando um sabor levemente ácido, mas aromático e refrescante, que lembra o limão tradicional, embora seja frequentemente descrito como mais delicado.

Citrus australasica Australian finger lime

Limão caviar australiano (Microcitrus australasica) de coloração marrom. Créditos: Wikipedia

Dependendo do material genético, casca e polpa podem variar entre tons de verde, amarelo, rosa, vermelho e marrom.

O nome científico da espécie é Microcitrus australasica, que faz parte da mesma família botânica das laranjas e dos limões tradicionais.

A nova cultivar Faustrime foi selecionada a partir do Banco de Germoplasma de Citros do Centro de Citricultura do IAC, em Cordeirópolis (SP), considerado um dos mais importantes do mundo, reunindo cerca de 1.700 materiais genéticos de diferentes origens.

Após o registro no RNC, a fruta poderá começar a ser produzida em escala comercial pelos produtores.

Segundo pesquisadores do IAC, uma das vantagens agronômicas da Faustrime é a precocidade. A planta pode iniciar a produção a partir do segundo ano após o plantio, embora o potencial produtivo mais elevado seja alcançado a partir do quarto ano.

Nos últimos anos, a espécie também passou a chamar a atenção de pesquisadores da citricultura mundial por apresentar características genéticas consideradas promissoras para programas de melhoramento genético.

Uma das áreas de pesquisa é o combate ao greening, ou Huanglongbing (HLB), doença que afeta os citros e é causada por bactérias do gênero Candidatus Liberibacter, comprometendo a produção e podendo levar à morte das plantas.

Segundo a Embrapa, as espécies do gênero Microcitrus apresentam níveis de tolerância ao HLB superiores aos observados em muitas variedades comerciais de citros, o que pode contribuir para cruzamentos experimentais voltados à obtenção de novas combinações genéticas mais resistentes à doença.