O Comissário de Parcerias Internacionais da UE (União Europeia), Jozef Síkela, disse nesta 3ª feira (23.jun.2026) que o bloco quer “empoderar” o Brasil em eventuais parcerias na área de minerais críticos e estratégicos.
O representante europeu está no Brasil pela 1ª vez e visitou 4 projetos de mineração de terras-raras nos últimos dias. A viagem faz parte de uma estratégia do bloco que mira o fornecimento de minerais estratégicos brasileiros para reduzir a dependência da China, que domina quase 100% da cadeia internacional do produto.
Síkela afirmou que o bloco tem interesse em contribuir com atividades de refino e processamento de materiais na indústria nacional. Defendeu que Brasil e Europa podem atuar em conjunto no setor, aproveitando o potencial mineral do território brasileiro e a tecnologia desenvolvida pelos europeus.
“Nós estamos prontos para apoiar essa ambição de construir verdadeiramente uma cadeia de valor. Diferente de outros atores, nós não investimos só em extração de minerais. Nós investimos também em processamento local, refinamento. […] Não queremos prender ninguém. Não queremos impor nada. Queremos empoderar”, disse Síkela durante participação no Fórum de Investimentos Brasil-União Europeia, em Brasília.
Apesar do interesse europeu nos ativos brasileiros, Síkela disse que o bloco está alinhado com o governo federal, que defende que os minerais críticos não sejam apenas extraídos, mas também refinados e processados em território nacional.
“O que o Brasil precisa é transitar de negócios de baixa margem —como a exportação de produtos agroalimentares ou commodities e matérias-primas críticas não processadas— para commodities de maior valor agregado, ou seja, produtos finais. A ambição existe, e estamos perfeitamente alinhados com os objetivos do governo brasileiro em relação à neoindustrialização e ao desenvolvimento de novas tecnologias. Os projetos que temos em andamento focam justamente nisso”, disse Síkela a jornalistas após a abertura do evento.
O comissário europeu afirmou que o bloco está pronto para investir localmente, compartilhar “know-how” e trazer tecnologias ao Brasil.
“Não vamos apenas comprar matérias-primas críticas ou produtos brutos não processados. Buscamos novas cadeias de suprimentos —estáveis, confiáveis e mutuamente benéficas— das quais tanto a população da Europa quanto a do Brasil ou da América Latina possam se beneficiar”, disse.
FÓRUM BRASIL-UE
Organizado pela ApexBrasil, pela União Europeia e pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), o Fórum de Investimentos Brasil-União Europeia reúne a cúpula diplomática europeia no Brasil e autoridades e executivos brasileiros para promover o diálogo econômico bilateral e oportunidades estratégicas de comércio e investimento, com foco no acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu.
São discutidos assuntos relacionados à transição energética, infraestrutura digital, minerais críticos, economia de dados e cadeias de valor sustentáveis.
A abertura oficial teve presença de integrantes do governo e integrantes da União Europeia. Eis os participantes:
- Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços;
- Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos;
- Jozef Síkela, Comissário Europeu para Parcerias Internacionais;
- Marian Schuegraf, embaixadora da União Europeia no Brasil;
- Laudemir André Muller, presidente da ApexBrasil;
- José Pio Borges, presidente do Conselho Curador do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais)
Um dos principais pontos de discussão no fórum gira em torno da transformação do Brasil de exportador bruto de matérias-primas para polo de processamento industrial sustentável de alto valor agregado. Durante o evento, autoridades e executivos brasileiros e europeias defenderam que o estabelecimento de parcerias nas áreas de energia, infraestrutura, tecnologia, saúde e minerais críticos.