Na manhã de quinta-feira (18), a Ucrânia realizou um dos maiores ataques contra o território russo desde o início da guerra, lançando cerca de 200 drones contra Moscou. O ataque atingiu áreas civis e infraestrutura energética, resultando na morte de uma criança e ferimentos em outras 16 pessoas. Os quatro aeroportos da capital foram fechados temporariamente. A refinaria de petróleo de Moscou foi atingida pela segunda vez em menos de uma semana, gerando uma densa nuvem de fumaça sobre a cidade.

Ao todo, foram quase mil drones lançados contra diversas regiões da Rússia. Em Moscou, alvos incluíram estabelecimentos comerciais e prédios residenciais. O Kremlin respondeu com promessas de retaliação. O ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, afirmou que Moscou responderá com "ataques massivos regulares". Já o porta-voz da presidência, Dmitry Peskov, destacou que os sistemas de defesa aérea tiveram "excelente desempenho" ao repelir a maioria dos drones.

Objetivos simbólicos e estratégicos

O analista do International Crisis Group para a Rússia, Oleg Ignatov, avaliou que os ataques têm dupla finalidade: "tentar interromper a logística militar russa ao redor da linha de frente e intensificar os ataques de longo alcance contra a infraestrutura petrolífera russa em Moscou". Ele destacou o significado simbólico de atingir a capital e o impacto estratégico de prejudicar o refino de petróleo, causando problemas no mercado de combustíveis.

"Isso tem um significado simbólico porque se trata de Moscou, e tem um significado estratégico porque a Ucrânia está tentando interromper o refino de petróleo russo para causar problemas no mercado de combustíveis. Este não é o primeiro ano em que eles fazem isso, só que agora as capacidades aumentaram. E, portanto, esses ataques se intensificaram", explicou Ignatov.

Na sexta-feira (19), dezenas de novos drones foram lançados contra Moscou, mas segundo o prefeito Serguei Sobianin, todos foram abatidos e não causaram danos.

Capacidade de furar a defesa aérea

Não é a primeira vez que a capital russa é alvo. Em 2023, drones atingiram áreas centrais, mas os sistemas de defesa foram reforçados e ataques semelhantes não ocorreram por mais de dois anos. O ataque recente evidencia a capacidade ucraniana de furar a blindagem aérea de Moscou. Ignatov apontou que a tática busca "desestabilizar a logística russa" e a situação política interna, criando a imagem de que a Rússia está em um beco sem saída e precisa negociar.

O impasse em Donbas

Enquanto isso, no leste da Ucrânia, a Rússia mantém ofensiva na região de Donbas, onde ocorrem os combates mais intensos. A Ucrânia não conseguiu conter o avanço russo. Ignatov descreveu uma "corrida para ver quem consegue atingir seus objetivos mais rapidamente": de um lado, a Rússia avança no terreno; de outro, a Ucrânia tenta aumentar o custo da guerra.

A Rússia já declarou que pode interromper as ações militares se as forças ucranianas se retirarem de Donetsk e Lugansk, condição que Kiev rejeita. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, e o assessor presidencial Yuri Ushakov afirmaram que o controle pleno sobre essas regiões é condição para a resolução do conflito. Ignatov considera essa uma "decisão política" difícil de reverter, tornando a batalha por Donbas potencialmente a "última batalha da guerra", mas longa e custosa.