Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta terça-feira (23), o ex-deputado federal e ex-presidente do PT José Genoino defendeu o nome do ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB) para o governo de São Paulo.
Para Genoino, o campo progressista deve examinar a possibilidade de ter mais disputa política no primeiro turno das eleições. “Essa ideia de algum candidato a governador no campo das forças progressistas apoiando o Lula pode ser uma coisa interessante”, defende o ex-deputado.
Ele pontua que a eleição em São Paulo é “delicada” por representar a “concentração da eleição nacional” e que a esquerda nunca ganhou a eleição majoritária no estado. “Então, acho que aqui tem um quatrocentão, uma classe dominante, egoísta, barra pesada. No interior de São Paulo, nem se fala”, destaca Genoino.
Portanto, ele afirma que é preciso fazer uma campanha “muito combativa” em São Paulo, e que apesar do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), estar preparada para isso, de acordo com o ex-deputado, a esquerda deve “examinar a possibilidade de um candidato no campo de centro progressista que pudesse ter mais tempo na televisão, forçar o debate e fazer o segundo turno”.
“A gente tem que fazer uma campanha bem afirmativa, bem combativa, sem ser sectária, que dá para a gente sair bem nessa campanha eleitoral. O Haddad está indo bem. Se surgir essa possibilidade, a gente tem que examinar com carinho”, defende Genoino.
Jaques Wagner
Genoino também analisou a situação do senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, após o escândalo de um possível envolvimento com fraudes do Banco Master, de acordo com a Polícia Federal (PF). Para o ex-deputado, “ficar na defensiva é o pior caminho” e o senador deveria ir para a ofensiva e utilizar a tribuna do Senado para se explicar.
Além disso, Genoino defende que Wagner deve entregar a liderança do governo e ressaltar que a gestão Lula não tem nada a ver com o Master. “Eu acho que aquela entrevista da Bandeirantes foi um desastre. Ele acabou botando o Lula dentro da situação dele, coisa que não procede. Então, acho que ele devia ir para a ofensiva e se defender usando a tribuna e a Justiça”, afirma Genoino.
“Eu conheço o Jaques Wagner, não estou me fazendo nenhum tipo de condenação –até porque eu fui vítima de condenação sem nenhuma prova, eu fui condenado pelo que eu era, não pelo que eu fiz, nunca acharam nada contra mim – portanto, eu acho que ele tem direito a se defender, mas entrega o cargo de líder do governo, porque há uma questão maior, nós não podemos criar qualquer embaraço para a reeleição do Lula, o que está em jogo nessa eleição é algo grandioso, são os interesses do Brasil, os interesses do povo brasileiro e da América Latina”, ressalta Genoino.
O ex-deputado, que foi alvo de perseguição política durante o Mensalão e depois absolvido, relembra sua situação e destaca que o PT, diante de tudo o que o partido passou, deveri ter aprendido mais. “Ter sido mais vigilante, mais cuidadoso com essas relações, esses compadrios com o sistema financeiro, compadrio dentro do Congresso”, diz Genoino.
Bancada progressista no Congresso
O ex-deputado ainda comentou sobre a possibilidade de aumento da bancada progressista nas eleições deste ano. Para Genoino, é possível eleger pelo menos 171 deputados do campo “para a gente se livrar da chantagem, do impeachment e de emendas constitucionais”.
“Eu acho que é possível. Para isso, a gente tem que fazer uma campanha articulada de um bloco progressista. No Senado, eu acho que tem que trabalhar para impedir que a extrema direita faça maioria absoluta”, afirma o ex-parlamentar.
Por outro lado, Genoino afirma que se o campo progressista não tiver ⅗ para mudar a emenda constitucional do orçamento secreto, a bancada do PT deveria defender um plebiscito popular “para que o povo decida soberanamente se aceita o orçamento ter desviado R$ 60 bilhões para emendas impositivas de execução obrigatória”.
“Não dá para a gente conviver com esse câncer. Emenda impositiva com execução obrigatória é um câncer que vai corroendo as instituições liberais, do próprio liberalismo político. Assim como eu acho que ele tem que defender uma reforma no judiciário, com mandato para ministro Supremo”, diz Genoino.