Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta quarta-feira (24), o cientista político e presidente nacional da Federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, afirmou que a população deve retomar a pressão pela aprovação do fim da escala 6×1 no Congresso Nacional para tirar o “conforto” do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Juliano destacou que Alcolumbre vem fazendo uma chantagem com o governo Lula utilizando a pauta da 6×1 e que, apesar de tudo indicar que o presidente não vai ceder, os movimentos sociais devem pressionar do mesmo jeito que fizeram com Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara dos Deputados.

“Davi Alcolumbre acredita que a Polícia Federal é a Polícia Federal do Bolsonaro, que ela age a partir dos interesses do presidente. Não é assim, isso acabou no Brasil. A Polícia Federal tem autonomia. Mas o Davi Alcolumbre acha que a Polícia Federal está investigando o caso Master a mando do Lula”, pontuou Juliano.

Diante disso, o presidente do Senado tem barrado a pauta da 6×1 e outros projetos do governo para pressionar Lula a intervir na PF.

“Essa é a chantagem que está em curso para que o caso Master vá virando uma pizza e essa pizza vá indo pro forno”, diz Juliano.

Esse é um impasse que está colocado. Das duas, uma: ou o Lula intervém na PF, coisa que não vai acontecer, ou o Davi Alcolumbre cede e deixa a 6×1 avançar. Mas qual é o problema? O problema é que a gente fez uma baita mobilização social, popular, para a Câmara votar, e não está fazendo a mesma pro Senado votar. Então está confortável pro Davi Alcolumbre, entende? Para o Hugo Motta tinha pressão, central sindical, opinião pública, campanha do governo, e agora o Davi Alcolumbre está mais confortável porque tem menos pressão”, afirma Juliano.

Ele acrescenta que é difícil retomar essa pressão diante de um cenário em que a campanha eleitoral está prestes a começar e a população está focada na Copa do Mundo, mas que essa organização talvez seja a “chave” para pressionar Alcolumbre.

Relatoria da 6×1

Juliano também analisou para quem deve ser entregue a relatoria do projeto da 6×1 no Senado e afirmou que “não é hora de estimular a disputa de paternidade” da proposta. Para Juliano, o relator deve ser quem o acordo com Alcolumbre permitir

“Se Alcolumbre disser: ‘beleza, Lula, eu vou votar a 6×1, mesmo você não salvando minha pele aqui da Polícia Federal, do caso Master, mas só se o relator for fulano. Entrega pro fulano, gente”, defende Juliano. “O importante é aprovar o fim da 6x, porque é a principal entrega que o governo pode ter depois da isenção de Imposto de Renda”, ressalta.

“Eu acho que, nesse momento, combina o jogo com o Davi Alcolumbre, acerta quem é o relator, que faça passar na CCJ e depois no plenário e ‘vambora'”, finaliza Juliano.

Interferência de Trump nas eleições brasileiras

Outro ponto de destaque da entrevista de Juliano foi a análise sobre a interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições brasileiras. O cientista político destaca que essa interferência já começou desde a primeira ameaça do presidente norte-americano ao Brasil.

“Já estamos vivendo uma interferência. Já começou lá atrás, quando, nessa última visita ao Flávio, três dias depois, o Trump anunciou novas tarifas contra o Brasil em cima de um monte de mentiras sobre o PIX, desmatamento, trabalho escravo. Então nós já estamos enfrentando uma interferência na eleição brasileira”, afirma Juliano.

Ele pontua que a interferência de Trump é a “única chance” de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Porque o Flávio conseguiu criar tanta confusão em torno de si, as revelações da relação dele com o Banco Master, a incapacidade dele de fazer o que o Lula fez, que foi reunir o próprio campo em torno dele próprio. O Flávio não tem aliados, gente”, destaca Juliano.

“Então, Flávio está isolado, está envolvido num dos maiores escândalos de advocacia administrativa e corrupção das últimas décadas no Brasil, vendo o seu apoio derreter, vendo o Lula ganhar essa eleição no primeiro turno, o que sobrou pro Flávio Bolsonaro? Pedir pro Trump interferir”, diz o cientista político.

“Então, já tem um processo de interferência no processo eleitoral brasileiro, que ainda é sutil. Começou com as novas tarifas, três dias depois que o Flávio esteve lá, e agora vem com recados sutis. Então, todo o alerta ligado nesse momento e todo o foco onde tem que estar, que é na luta contra o Flávio e na luta contra o Trump”, complementa Juliano.

Confira a entrevista completa de Juliano Medeiros à Fórum