A seleção da Turquia assegurou vaga na Copa do Mundo de 2026 após superar a repescagem europeia com vitórias por 1 a 0 sobre Romênia e Kosovo. Sob o comando do italiano Vincenzo Montella, o time chega ao torneio carregando uma identidade marcante: ofensivamente talentoso e empolgante, mas defensivamente vulnerável.

Trajetória de Montella espelha a inconstância turca

A carreira de Montella é pontuada por altos e baixos. Ex-atacante de Sampdoria, Roma e da seleção italiana, ele iniciou a carreira de treinador com sucesso na Fiorentina, onde conquistou três quartos lugares consecutivos na Serie A e uma semifinal de Liga Europa entre 2012 e 2015. Depois, acumulou passagens decepcionantes por Sampdoria, Milan, Sevilla e no retorno à Fiorentina, chegando a ficar dois anos sem clube.

A retomada ocorreu em setembro de 2021, quando assumiu o Adana Demirspor, recém-promovido à primeira divisão turca. Conduziu o clube a uma histórica quarta colocação, o que lhe abriu as portas da seleção nacional. Na Turquia, classificou a equipe para a Eurocopa 2024, liderando o grupo à frente da Croácia, e alcançou as quartas de final, eliminado pela Holanda. Depois, garantiu o acesso à elite da Liga das Nações.

Eliminatórias com placares elásticos e emoção

Nas Eliminatórias para a Copa de 2026, a Turquia protagonizou resultados extremos. Sofreu uma goleada de 6 a 0 para a Espanha, mas respondeu com um atropelo de 6 a 1 sobre a Bulgária e vitória por 4 a 1 contra a Geórgia. Outros jogos movimentados incluíram empate em 2 a 2 com a Espanha e triunfo por 3 a 2 sobre a Geórgia. A vaga direta escapou, mas a classificação veio na repescagem, com atuações mais controladas.

Força ofensiva repleta de talento

O ataque turco é impulsionado por jovens criativos. Kenan Yıldız, atacante da Juventus de 21 anos, é considerado um talento geracional por sua criatividade, intensidade e maturidade. Comparado a Alessandro Del Piero, ele parte da ponta esquerda para zonas centrais, aumentando a superioridade técnica da equipe.

O lateral Ferdi Kadıoglu contribui na construção pela esquerda, enquanto o experiente Hakan Çalhanoglu dita o ritmo no meio-campo e oferece perigo em bolas paradas. Pela direita, Yılmaz agride com velocidade e força. No centro criativo, Arda Guler, meia do Real Madrid apelidado de "Messi Turco", controla o jogo com visão e precisão nos passes e finalizações. Montella também conta com Salih Ozcan e Orkun Kokçu como opções de qualidade.

Defesa frágil e jogos caóticos

Apesar do poder ofensivo, a Turquia sofre com a desorganização defensiva. A marcação oscila durante as partidas, e a recomposição pelos lados é um ponto fraco. A pouca proteção à frente da área expõe os zagueiros, facilitando a pressão adversária. A juventude do elenco contribui para a montanha-russa emocional: os jogadores têm dificuldade para controlar o ritmo e administrar vantagens.

Segundo a análise, a equipe rende melhor em contextos de aceleração e transições constantes, ambiente ideal para o talento individual de Guler, Yıldız e Yılmaz. Para o espectador, a promessa é de entretenimento garantido na Copa do Mundo.

Com informações de ge — Globo Esporte.