Em 2018, o Paquistão, país sul-asiático considerado o quinto mais populoso do mundo, iniciou um dos programas de restauração ambiental mais ambiciosos já concebidos, apelidado de Ten Billion Tree Tsunami Programme.

A intenção da iniciativa, lançada pelo então primeiro-ministro Imran Khan, era viabilizar o plantio de 10 bilhões de árvores para combater os efeitos das mudanças climáticas, recuperar áreas degradadas e ampliar a cobertura florestal do país.

Antes de 2018, outro projeto semelhante já havia sido empreendido em uma província no noroeste do país, com alguns dos cenários naturais mais exuberantes do Paquistão: Khyber Pakhtunkhwa, que teve 350 mil hectares de áreas degradadas restauradas no âmbito do Desafio de Bonn, uma iniciativa internacional voltada à recuperação de áreas florestais.

O governo decidiu, então, expandir a iniciativa para todo o território nacional. Segundo o Ministério das Mudanças Climáticas do Paquistão, a primeira fase do programa nacional foi executada entre 2019 e 2023 e custou cerca de 125,18 bilhões de rúpias paquistanesas.

O projeto envolvia os governos locais das províncias, em parceria com órgãos ambientais e departamentos florestais, com meta inicial de plantio de 3,3 bilhões de árvores. Até o final da década, o Paquistão pretendia ter 10 bilhões de novas mudas plantadas.

As ações incluíam outras iniciativas ambientais relevantes, como a recuperação de áreas de manguezal afetadas pela urbanização, o plantio de árvores em áreas degradadas pela construção de estradas e canais e o fortalecimento da biodiversidade em regiões desmatadas.

O Paquistão é um dos países que mais sofrem com os efeitos mais imediatos das mudanças climáticas, entre secas, enchentes, ondas de calor e o derretimento das geleiras do Himalaia.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a cobertura florestal paquistanesa é uma das mais baixas da região, estimada entre 2% e 5% do território nacional, muito abaixo da média global, o que afeta diretamente a segurança hídrica da população.

Em declaração oficial, Dechen Tsering, diretora regional do PNUMA para a Ásia e o Pacífico, afirmou que a iniciativa era “um exemplo de liderança global em restauração ecológica” em um “momento decisivo para a recuperação dos ecossistemas”.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, a província paquistanesa de Khyber Pakhtunkhwa, que havia participado do Desafio de Bonn, foi também a primeira a cumprir integralmente sua meta de restauração ambiental, antes mesmo do prazo estipulado pela organização.

Dados oficiais indicam que centenas de milhares de pessoas foram empregadas em viveiros, monitoramento ambiental, plantio e manutenção das áreas restauradas.

Até março de 2022, segundo informações compartilhadas pela Associated Press (AP), mais de 327 mil pessoas haviam sido empregadas direta ou indiretamente pelas ações do programa, que também criou viveiros privados para empregar produtores rurais, mulheres e jovens desempregados e gerar renda de subsistência por meio dos chamados “empregos verdes”.

Apesar de algumas denúncias envolvendo irregularidades no orçamento do programa, que levaram à investigação de supostos casos de corrupção relacionados à contratação de trabalhadores fantasmas e ao desvio de recursos administrativos, auditorias independentes realizadas por organizações ambientais, como a World Wide Fund for Nature, apontaram resultados positivos em vários indicadores ambientais.

Em geral, o caso paquistanês chama atenção porque, no projeto pioneiro de Khyber Pakhtunkhwa, aproximadamente 60% da recuperação ocorreu por meio da proteção e regeneração de áreas degradadas já existentes, enquanto 40% resultaram de novos plantios.

Além do “tsunami de árvores”, o país também lançou a meta de ampliar suas Áreas Protegidas de 12% para cerca de 15% até 2023.

O país tem cerca de 24% de sua população em situação de pobreza, segundo dados do Banco Mundial, e sofreu, entre 1990 e 2014, uma redução em seu capital natural (o estoque de recursos naturais que inclui água, solo agricultável, minerais e biodiversidade).

Até 2030, período abrangido pela Década da ONU para a Restauração dos Ecossistemas, declarada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, o programa paquistanês espera ter regenerado centenas de milhares de hectares de florestas em áreas degradadas e agrícolas, além de criar densas florestas urbanas em cidades afetadas pela poluição atmosférica, como Lahore — conhecida como a Cidade dos Jardins e considerada a capital cultural do país — para melhorar a qualidade do ar e os microclimas locais.