O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou nesta quinta-feira (18) que seu país vá pagar US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) para a reconstrução do Irã, após o acordo de paz firmado na véspera com o presidente iraniano Masou Pezeshkian. Em sua rede social Truth Social, Trump escreveu: “Não há nenhum pagamento de US$ 300 bilhões dos EUA ao Irã. Isso é notícia falsa! Tudo o que importa para os EUA é o sucesso, a queda dos preços do petróleo e a vitória. Observem o mercado de ações”.

Trump cobra cessar-fogo de Israel

Em outra publicação, Trump pediu que Israel cumpra o cessar-fogo previsto no acordo. Ele disse esperar “um cessar-fogo completo em todas as frentes, incluindo Líbano, Hezbollah e Israel” e afirmou: “Encorajamos todos na região do Oriente Médio a manterem seu compromisso de permitir que nossas negociações se desenvolvam da melhor forma possível”.

Detalhes do memorando de paz

O memorando divulgado oficialmente tem 14 pontos e declara o fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano. Estados Unidos e Irã se comprometem a não iniciar novos conflitos entre si, a respeitar a soberania um do outro e a negociar um acordo definitivo em até 60 dias, com possibilidade de prorrogação por consentimento mútuo.

Reabertura do Estreito de Ormuz e suspensão de sanções

O documento determina que os EUA suspendam o bloqueio naval ao Irã e retirem suas forças militares da região ao redor do país em até 30 dias após a assinatura. O Irã, por sua vez, deve reabrir o Estreito de Ormuz no mesmo prazo e garantir passagem segura e sem custos a navios comerciais por 60 dias. O texto prevê ainda que Teerã dialogue com Omã e outros países do Golfo Pérsico sobre a futura administração do estreito.

O pacto inclui o compromisso dos EUA de encerrar sanções contra o Irã, inclusive medidas unilaterais americanas e resoluções ligadas ao Conselho de Segurança da ONU e à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Washington também se compromete a permitir a comercialização de petróleo e produtos petroquímicos iranianos e a liberar ativos e fundos do país que estavam congelados ou restringidos pelas sanções.

Compromissos nucleares

Na área nuclear, o Irã reafirma que não produzirá nem adquirirá armas nucleares. As partes concordaram em tratar da destinação do urânio enriquecido por meio de mecanismo acordado e sob supervisão da AIEA, com diluição no próprio local como metodologia mínima citada no memorando.

Enquanto negociam o acordo final, os dois países devem manter o status quo: o Irã preserva a política nuclear atual, e os EUA não impõem novas sanções nem ampliam sua presença militar no Oriente Médio. O texto estabelece um mecanismo de implementação para acompanhar o cumprimento do memorando e prevê que o acordo final seja ratificado por resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU em até 60 dias.