O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou o deputado estadual da Flórida Daniel Perez para o cargo de embaixador em Brasília, sem que o governo brasileiro tivesse concedido previamente o agrément — formalidade diplomática que sinaliza aceitação do nome. A medida foi anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio e é vista como mais um gesto de desrespeito nas relações bilaterais, já marcadas por tensões.

Perez, de 38 anos, é filho de cubanos, assim como Rubio, e atua na política da Flórida. A embaixada americana em Brasília estava sem titular há mais de um ano. A quebra do protocolo de agrément não é inédita: em 2022, a Argentina anunciou o retorno do então embaixador Daniel Scioli a Brasília sem consultar o Itamaraty, e o Brasil acabou aceitando a situação por sugestão do chanceler Carlos Alberto França. Nos anos 1960, o presidente francês Charles de Gaulle engavetou o pedido de agrément para o embaixador brasileiro Vasco Leitão da Cunha após o Brasil divulgar a indicação sem avisar a França.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na semana passada acreditar no “sucesso da minha visita ao Trump”. No entanto, analistas apontam que as relações podem enfrentar novas turbulências. O governo americano também criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli de anular provas do acordo de leniência da Odebrecht, classificando-a como incentivo à corrupção. A coluna compara as decisões de Toffoli, baseadas em argumentos jurídicos, com os perdões concedidos por Trump a políticos e empresários condenados.

Com informações de Folha — Poder.