O colunista Leonardo Sakamoto, em artigo publicado no UOL, analisa as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil sob o governo de Donald Trump. Segundo Sakamoto, Trump utiliza o desmatamento ilegal e o trabalho escravo como justificativas para proteger produtos norte-americanos, mas não demonstra preocupação real com essas questões.
De acordo com o Global Slavery Index (GSI), calculado pela Walk Free em parceria com a Organização Internacional do Trabalho, os Estados Unidos são o país com o maior número de pessoas escravizadas no continente americano, com quase 1,1 milhão de pessoas nessa condição. Além disso, lideram o mundo em importações de produtos com risco de terem sido feitos com trabalho escravo, totalizando quase 170 bilhões de dólares.
Ao anunciar o novo tarifaço contra o Brasil, Trump criticou o desmatamento no país, atribuindo à pecuária boa parte do problema. Posteriormente, ao impor tarifas sob a justificativa de combater o trabalho forçado, voltou a citar a pecuária brasileira. No entanto, Sakamoto observa que a carne brasileira, o café e o suco de laranja foram liberados de todas as taxas, o que, segundo ele, se deve à proximidade das eleições parlamentares nos EUA em novembro e à insatisfação popular com o preço dos alimentos.
O colunista destaca que o Brasil, embora também utilize mão de obra escrava em alguns setores, é reconhecido pela ONU como exemplo no combate à prática, sendo o único país a manter uma "lista suja" do trabalho escravo, atualizada pelo governo. Empresas internacionais e bancos brasileiros consultam essa lista para gerenciar riscos. Sakamoto argumenta que as barreiras comerciais são ineficazes, pois prejudicam produtores que operam dentro da lei ao equipará-los a criminosos.
Em contraste, os EUA não possuem mecanismos sólidos como a lista suja para garantir a lisura de suas mercadorias e são contrários à assinatura de tratados que criem obrigações para empresas. Sakamoto critica ainda grupos políticos no Brasil que, segundo ele, estendem a bandeira dos EUA em celebrações patrióticas ou pedem sanções ao Brasil, classificando tais atitudes como contraditórias.
Com informações de Diário do Centro do Mundo.