O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez declarações duras sobre o Brasil e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em entrevista ao site Axios, repercutida nesta sexta-feira (19). Na ocasião, Trump classificou Lula como uma pessoa 'muito volátil' e afirmou que o Brasil é 'politicamente complicado' e 'um pouco perigoso'. 'Ele é muito volátil, eu realmente não me importo com ele', disse o republicano ao ser questionado sobre o petista.

Confusão no G7 e acusações de perseguição

As declarações ocorrem na mesma semana em que a situação institucional brasileira foi tema de debates nos bastidores da cúpula do G7, na França. Durante o evento, Trump demonstrou confusão ao comentar o Brasil, afirmando que 'ouviu falar que prenderam o Bolsonaro Jr.'. Na verdade, quem foi condenado por coação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) foi o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e não o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O episódio no G7 soma-se ao recente tensionamento com a diplomacia dos EUA. Um porta-voz do Departamento de Estado americano acusou o STF de praticar 'perseguição política' contra a oposição brasileira, em resposta à condenação de Eduardo Bolsonaro.

Reação do governo Lula

O presidente Lula reagiu de forma imediata e contundente às declarações de Trump. Em evento no G7, o petista afirmou categoricamente que o líder americano não deve se intrometer no processo eleitoral e institucional brasileiro. 'Se tem alguém que tem que aprender com eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump', disse Lula, defendendo a lisura do sistema eleitoral nacional. Em tom irônico, completou: 'Na próxima vez, vou levar a urna eletrônica para mostrar como ela funciona.'