O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (17/6) que o Brasil vive uma situação 'um pouco difícil' e que o país está 'perigoso politicamente'. A fala ocorreu durante entrevista coletiva na cúpula do G7 em Evian, na França.
Questionado se havia conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre as novas tarifas impostas pelos EUA ao Brasil ou sobre a classificação de organizações terroristas para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), Trump respondeu que passou 'bastante tempo' com o presidente brasileiro, mas não abordou esses temas.

Confusão entre filhos de Bolsonaro
O presidente americano preferiu mencionar os Bolsonaro, mas acabou confundindo os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-SP). 'Ouvi dizer que prenderam alguém que estava concorrendo a um cargo hoje', afirmou Trump. 'Acabei de me despedir dele [de Lula] e ouvi que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas. Ou prenderam, ou querem prendê-lo'.
Na ocasião, Trump se referia ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal rival de Lula nas pesquisas, mas mencionou 'Bolsonaro Jr.', que é como Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é conhecido. A confusão ocorre em meio a eventos judiciais: na terça-feira (16), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo. A acusação é de que ele articulou retaliações nos EUA contra autoridades brasileiras para tentar impedir o julgamento do pai, condenado em setembro por tentativa de golpe de Estado.

Tensões comerciais e terrorismo
A presença de Lula e Trump no mesmo local ampliou as expectativas sobre possíveis interações, em um momento de novo tensionamento bilateral devido à possibilidade de uma taxação extra de 25% sobre parte das importações brasileiras. As supostas práticas brasileiras apontadas pelos EUA incluem comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
O governo americano está recebendo consultas públicas até 1º de julho, com audiência pública marcada para 6 de julho. Além disso, a Casa Branca oficializou em 5 de junho a classificação das facções criminosas PCC e CV como terroristas, considerada a maior derrota do governo Lula na relação com Trump desde o tarifaço de 2025.

A designação foi resultado de uma batalha de mais de um ano, vencida pelo grupo político liderado pelo senador Flávio Bolsonaro, segundo a avaliação do governo brasileiro.