O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar a França com medidas comerciais punitivas caso o país não elimine o imposto digital cobrado sobre grandes empresas de tecnologia. Em entrevista ao jornal The New York Post publicada nesta segunda-feira (15), Trump afirmou que Paris deve abolir a taxa de 3% incidente sobre big techs para evitar uma tarifa de 100% sobre os vinhos franceses importados pelos EUA.

Segundo Trump, a indústria vinícola francesa sofreria consequências 'devastadoras' no mercado americano, que atualmente responde por um quinto das vendas globais do setor. A ameaça ocorre em meio a tensões comerciais entre os dois países e às vésperas da cúpula do G7.

Reação de Macron

O presidente francês, Emmanuel Macron, respondeu ainda na segunda-feira às declarações de Trump. Em entrevista ao canal TF1, em Évian, pouco antes de receber o líder americano para o início do G7, Macron afirmou que não cederá à exigência. 'O imposto sobre serviços digitais foi decidido pelos europeus, vários países o implementaram e faz parte dos nossos direitos. Os EUA não decidem sobre os direitos dos europeus ou dos franceses', enfatizou.

Macron lembrou que europeus e americanos já chegaram a um acordo tarifário no verão passado, após meses de negociações, durante o início da guerra comercial promovida por Trump. Para o presidente francês, a questão está resolvida: 'O que precisamos agora é de estabilidade'. Ele acrescentou que 'as tarifas não são boas para ninguém' — nem para os setores produtivos dos países exportadores nem para os EUA, porque 'não resolvem os seus problemas comerciais e aumentam certos preços'.

Contexto do imposto digital

A França foi pioneira na Europa ao criar o imposto sobre serviços digitais, que entrou em vigor em 2019 com alíquota de 3% sobre receitas de publicidade, serviços de plataformas e venda de dados gerados no território francês. A medida afetou diretamente gigantes do Vale do Silício, como Google, Apple, Facebook e Amazon.

A ameaça de Trump reacende a disputa comercial entre EUA e França, que já levou a tarifas retaliatórias sobre produtos como queijos e espumantes franceses em 2019. Até o momento, não há sinal de recuo de nenhum dos lados.