O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (13/06) que a assinatura de um acordo de paz entre americanos e iranianos deverá ocorrer no domingo (14/06). Segundo Trump, o Estreito de Ormuz, rota marítima essencial para o transporte de petróleo, será reaberto após a formalização do pacto. A declaração ocorreu horas depois de o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador, ter dito que os dois lados estão ‘mais perto de um acordo de paz do que nunca’.
Reação do Irã e contexto das negociações
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, manifestou cautela quanto ao cronograma divulgado. ‘Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando de entendimento, embora isso não vá acontecer amanhã’, declarou. Na sexta-feira (12/06), o chanceler iraniano, Seyed Abbas Araghchi, havia afirmado que um acordo para encerrar os combates com os EUA ‘nunca esteve tão próximo’.

A imprensa iraniana publicou supostos detalhes do pacto, o que levou Trump a negar que os termos divulgados correspondessem ao acordado. ‘Não têm nada a ver com os termos que foram acordados’ e ‘não guardam qualquer relação com a verdade’, escreveu o presidente americano, que também acusou Teerã de vazar informações e classificou os iranianos como ‘pessoas muito desonrosas para se negociar’.
Termos em discussão
Segundo uma alta autoridade do governo americano, o acordo prevê a destruição e remoção do material nuclear iraniano, além do desmantelamento do programa nuclear do país. Nenhum recurso financeiro seria liberado ao Irã até que Teerã atendesse às exigências, que incluem a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do financiamento a grupos considerados terroristas pelos EUA, como o Hezbollah.

Do lado iraniano, a agência Mehr divulgou uma lista de demandas, entre elas o fim do bloqueio naval imposto pelos EUA e a concessão de ‘pelo menos US$ 300 bilhões (cerca de R$1,5 trilhão)’ para reparar danos causados pelos ataques americanos e israelenses. O Irã também deseja que o acordo seja respaldado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU e que as negociações finais só comecem após a liberação de metade dos ativos iranianos congelados, a suspensão das sanções ao petróleo e o fim do bloqueio naval.
Ataques prosseguem em meio às conversas
Apesar das negociações, confrontos militares continuam. Na quarta-feira, o Comando Central dos EUA (Centcom) realizou ataques contra alvos militares, de vigilância e radares no sul do Irã. Em retaliação, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) lançou ataques contra bases americanas no Bahrein, Kuwait e Jordânia, deixando uma menina de 11 anos ferida no Bahrein. A Jordânia afirmou ter abatido cerca de 20 mísseis iranianos, e o Kuwait informou ter enfrentado ‘alvos aéreos hostis’.

Israel também realizou ataques aéreos no sul do Líbano, resultando em pelo menos uma morte na cidade de Marrakeh, no distrito de Tiro. O governo israelense alertou que atacaria o Hezbollah caso o grupo continuasse os ataques contra o norte de Israel. A Índia, por sua vez, convocou um diplomata americano após a morte de três marinheiros indianos em um ataque dos EUA a um navio no Golfo de Omã, acusado de violar o bloqueio a portos iranianos.
Reações internacionais
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que ‘os iranianos não estão recebendo dinheiro, e nenhum recurso está sendo liberado simplesmente por assinar um acordo’. Ele acrescentou que o pacto foi estruturado para priorizar as preocupações americanas e de seus aliados, e que os benefícios econômicos dependerão do cumprimento das obrigações pelo Irã.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, reconheceu ‘a campanha incessante de desinformação promovida por aqueles que querem sabotar o acordo de paz’ e reiterou que ‘a paz nunca esteve tão próxima quanto agora’. A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de um porta-voz do secretário-geral António Guterres, manifestou ‘profunda preocupação com a contínua escalada no Oriente Médio’ e instou as partes a retomarem a implementação plena do cessar-fogo. Paquistão, Rússia, China, Turquia, Índia e Arábia Saudita também pediram a redução das tensões.
Trump disse ter conversado com líderes regionais, incluindo aliados do Golfo e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e afirmou que ‘todo o Oriente Médio está muito feliz’. A guerra teve início em 28 de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel em território iraniano, seguidos por retaliações iranianas e o fechamento do Estreito de Ormuz. Um cessar-fogo foi acordado em abril, mas ataques esporádicos continuaram, incluindo duas rodadas de bombardeios nesta semana.