O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na noite de quarta-feira (17) que o acordo de paz firmado entre Washington e Teerã “não foi fácil”. A declaração ocorreu durante um jantar no Palácio de Versalhes, na França, oferecido pelo presidente francês, Emmanuel Macron. Em vídeo divulgado por Macron, Trump afirmou: “Não foi fácil”. O líder francês, em publicação nas redes sociais, disse que o plano de 14 pontos “abre caminho para uma paz duradoura” e poderá contribuir para a redução dos preços da energia.

Reação da China

O acordo foi recebido com entusiasmo pela China. Em conversa telefônica com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, afirmou que “chegou o alvorecer da paz”. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Wang destacou que o próximo passo será garantir que todas as partes cumpram os compromissos assumidos. Ele também enfatizou a importância de uma solução para a navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia. Para Pequim, o entendimento entre EUA e Irã representa uma notícia positiva, pois preserva um governo aliado da China em Teerã e reduz riscos ao abastecimento energético chinês, já que o país importa grandes volumes de petróleo e gás que passam pela hidrovia.

Acordo já em vigor

Uma versão física do memorando de entendimento foi assinada por Trump e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, na quarta-feira. Segundo autoridades iranianas e paquistanesas, o acordo entrou em vigor imediatamente. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que o chamado “Memorando de Entendimento de Islamabad” determina como medidas iniciais a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã e o início do fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos. Sharif disse ainda que Paquistão e Catar atuarão como mediadores da próxima fase das negociações, que deverá ocorrer nas próximas semanas.

O que prevê o memorando

O texto divulgado por um alto funcionário dos Estados Unidos estabelece 14 pontos principais, entre eles:

  • Fim imediato da guerra entre EUA, Irã e aliados, incluindo o Líbano.
  • Respeito mútuo à soberania e não interferência nos assuntos internos.
  • Prazo de 60 dias para negociar um acordo definitivo.
  • Fim gradual do bloqueio naval dos EUA e retirada de forças da região.
  • Reabertura do Estreito de Ormuz com passagem segura e sem taxas.
  • Plano de reconstrução do Irã de pelo menos US$ 300 bilhões.
  • Suspensão gradual das sanções impostas ao Irã.
  • Compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares.
  • Manutenção do status quo até o acordo final, sem novas sanções.
  • Autorização para exportações iranianas de petróleo e serviços relacionados.
  • Liberação de ativos e fundos iranianos congelados no exterior.
  • Criação de mecanismo de monitoramento para fiscalizar o acordo.
  • Início das negociações finais após implementação das medidas iniciais.
  • Validação do acordo final pela ONU, por meio do Conselho de Segurança.

O memorando também prevê um mecanismo de monitoramento para acompanhar o cumprimento das medidas e a elaboração de um acordo final, que deverá ser submetido ao Conselho de Segurança da ONU.

Reações e resistências

Apesar do anúncio, o entendimento enfrenta resistência nos Estados Unidos. Parlamentares democratas criticaram o texto por considerarem que ele oferece vantagens excessivas ao Irã. Entre os republicanos, as reações foram divididas: enquanto alguns classificaram o acordo como um erro estratégico, aliados de Trump afirmaram que o documento pode fortalecer a posição americana na região. Autoridades dos dois países ressaltam que o memorando é apenas a primeira etapa de um processo que deverá ser aprofundado nas negociações técnicas previstas para os próximos 60 dias.