A facção criminosa venezuelana Tren de Aragua mantém um esquema de fornecimento de armas para o Comando Vermelho (CV), segundo investigação da Polícia Civil de Roraima. O caso resultou na Operação Rota do Norte, deflagrada nesta terça-feira (16), que mira a estrutura operacional e financeira do grupo.
De acordo com a polícia, a Tren de Aragua atua estrategicamente no abastecimento de armamento de grosso calibre para organizações criminosas em diversas regiões do Brasil. Integrantes do núcleo da facção venezuelana abastecem diretamente o CV, que tem presença reconhecida no Rio de Janeiro e no Amazonas, além de outros estados.
Armamentos de alto poder destrutivo
Entre os equipamentos movimentados pelo esquema estão fuzis, metralhadoras calibre .50 e lança-granadas, armamentos de elevado poder destrutivo, comuns em confrontos entre facções. A Polícia Civil do Rio de Janeiro já havia revelado, após a megaoperação Contenção em outubro de 2025, que o CV utiliza fuzis e armamentos das forças armadas da Venezuela, Argentina e Peru.
Operação Rota do Norte
A operação, conduzida pela Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas (Draco), busca desarticular os braços operacional e financeiro da Tren de Aragua, uma das maiores organizações criminosas da América Latina. As ações ocorrem simultaneamente nos estados de Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, onde são cumpridos 25 mandados de prisão preventiva e mais de 30 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário contra integrantes e associados da organização.
As investigações identificaram uma complexa estrutura criminosa responsável por atividades relacionadas ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armamentos de guerra.
A Operação Rota do Norte conta com o apoio da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), reforçando a integração das forças de segurança no combate ao crime organizado de caráter interestadual e transnacional.
A polícia busca enfraquecer a capacidade financeira, logística e operacional do Tren de Aragua, interrompendo fluxos criminosos relacionados ao tráfico de drogas, à circulação ilegal de armas e à lavagem de dinheiro, além de impedir o fortalecimento e a expansão da facção em Roraima e em outros estados brasileiros.