O tráfego de navios cresce gradualmente no estreito de Ormuz, segundo dados de rastreamento. A recuperação se dá depois de um acordo preliminar entre Irã e Estados Unidos para encerrar as hostilidades e reabrir a rota estratégica, por onde passam 20% do gás e do petróleo consumidos no mundo.
Segundo a agência Reuters, 2 superpetroleiros encalhados atravessaram Ormuz nesta 3ª feira (23.jun.2026) e 7 navios-tanque vazios de gás natural liquefeito atravessaram na semana passada.
Dados da plataforma Kpler enviados à agência AFP mostram que pelo menos 35 navios com carga atravessaram o estreito de Ormuz na 2ª feira (22.jun.2026). É o maior número desde o início do conflito no Oriente Médio, no fim de fevereiro.
Apesar da alta, o volume representa cerca de 1/3 do nível registrado antes da crise. Antes do conflito, cerca de 120 navios transitavam diariamente pela passagem, essencial para o comércio mundial.
Vistoria no Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou que os EUA receberam mais petróleo de Ormuz “do que jamais havia passado pelo estreito”. “Temos duas coisas: temos o estreito aberto e temos um país que nunca terá uma arma nuclear, nunca, jamais terá uma arma nuclear”, declarou em referência ao Irã.
A declaração de Trump foi dada depois da 1ª rodada de negociações entre EUA e Irã, no domingo (21.jun).
Apesar disso, nesta 3ª feira (23.jun.2026), o Irã negou ter aceitado vistorias a instalações nucleares como parte das tratativas com os Estados Unidos. Trump insistiu que negociadores iranianos aceitaram a fiscalização e ameaçou encerrar as conversas, o que interromperia o acordo de paz.
Segundo o presidente norte-americano, os EUA só aceitaram levantar o bloqueio naval na entrada do estreito de Ormuz porque os negociadores iranianos teriam aceitado as vistorias nucleares.
Acordo EUA e Irã
A 1ª rodada de negociações entre autoridades norte-americanas e iranianas na Suíça terminou com “progressos encorajadores”, segundo os mediadores Paquistão e Qatar. As conversas foram encerradas nesta 2ª feira (22.jun.2026) após horas de discussões que avançaram pela noite. Os países concordaram com um roteiro para um acordo final em 60 dias, que inclui o fim da guerra.
Paquistão e Qatar informaram que norte-americanos e iranianos chegaram a 2 entendimentos centrais:
- criação de um mecanismo para encerrar os combates entre Israel, aliado dos EUA, e o Hezbollah, alinhado ao Irã, no Líbano;
- abertura de um canal de comunicação para garantir a passagem segura de navios comerciais pelo estreito de Ormuz, rota essencial para o abastecimento global de petróleo e gás natural liquefeito.