As taxas dos títulos públicos do Tesouro Direto voltaram a patamares historicamente elevados. O Tesouro IPCA+ voltou a pagar 8% ao ano acima da inflação, enquanto os papéis do Tesouro Prefixado oferecem mais de 14% ao ano.

Nesta sexta-feira (5), a taxa do Tesouro IPCA+ 2032 está em 8,23% — o nível mais alto desde que o título estreou, em fevereiro. O papel anterior, de vencimento em 2029, superou 8% de juro real em meados de outubro do ano passado, mas não ultrapassou 8,10%.

Desde março, o Tesouro Prefixado 2029 voltou a pagar mais de 14% ao ano. Nesta sexta-feira, o papel chegou a 14,7% de taxa. O título anterior (vencimento 2028) chegou a oferecer 15% de juros no início de 2025, mas voltou para valores abaixo de 14% em abril e se manteve assim até este ano.

Contexto econômico

Essas taxas refletem projeções e expectativas em relação às condições econômicas do país. Como os títulos do Tesouro Direto são dívidas da União, suas taxas são um termômetro do risco que os agentes financeiros enxergam no país.

A escalada das ofertas acompanha o aumento dos riscos para a inflação e para os juros. Entre os fatores estão o acirramento da guerra no Oriente Médio, novas taxas pelo governo Donald Trump e o aumento da temperatura na disputa eleitoral.

No Brasil, a inflação ganha pressão adicional com a alta do preço do petróleo diante da guerra no Irã. Nos últimos dias, instituições financeiras revisaram suas projeções de inflação e juros no ano. As expectativas para o aumento de preços já superam 5% no ano, ante projeções abaixo de 4% antes da guerra.

Com a inflação mais alta, o espaço para corte de juros cai. Já se fala na taxa Selic em 14% ao final do ano — o que significa um corte de apenas um ponto percentual no ano inteiro.

Simulações de retorno

Segundo analistas, neste patamar de juro real, com uma inflação média anual na casa dos 5%, o investidor consegue dobrar o patrimônio investido em sete anos. O Seu Dinheiro simulou quanto um juro real de 8% rende ao longo do tempo em um investimento do Tesouro IPCA+, considerando um aporte inicial de R$ 10 mil, inflação média de 5% ao ano e juro médio de 12% ao ano.

Com um juro real de 8,23% em 05/06/2026, em seis anos o Tesouro IPCA+ 2032 entrega um ganho líquido de R$ 9.913, já descontados os 15% de imposto de renda e os custos administrativos. Ou seja, o retorno total líquido seria de R$ 19.913,02, quase o dobro do aplicado.

Segundo o site do Tesouro, no mesmo período, o retorno de R$ 10 mil na Poupança pagaria R$ 15.249,48, muito abaixo mesmo sem cobrança de imposto de renda.

Um título mais longo, o Tesouro IPCA+ 2040, está pagando 7,54% de juro. Para uma mesma aplicação de R$ 10 mil, o retorno líquido no vencimento seria de R$ 36.952, já descontado IR, taxas e o aporte inicial.

O Tesouro Prefixado 2029, com uma taxa de 14,7% ao ano para um aporte de R$ 10 mil, pagaria R$ 3.421,99 líquido após três anos, considerando taxa Selic a 12% ao ano e os devidos descontos de IR e taxas. Em um prazo maior, Tesouro Prefixado 2032, o retorno se aproxima de R$ 9.283,09, após os descontos.

Riscos e estratégia

Todas essas simulações levam em consideração o ganho contratado para o vencimento. Caso o investidor realmente segure o título até o fim, esse é um retorno garantido, típico dos títulos de renda fixa.

No entanto, os preços dos papéis do Tesouro Direto variam continuamente, em um mecanismo conhecido como marcação a mercado. Quando os juros sobem, os preços caem; quando os juros caem, os preços sobem. Novos dados de inflação, aumento ou queda significativa no câmbio, guerra, disputa eleitoral — tudo isso impacta as expectativas do mercado em relação aos juros no futuro e influencia os preços dos títulos.

Para quem pretende levar o título até o vencimento, o retorno contratado se concretiza. Já para quem pensa em vender antecipadamente, o resultado depende diretamente do comportamento das taxas. Se as expectativas para os juros caírem, o investidor pode lucrar com a valorização do título; se subirem, a marcação de preço será negativa.

O momento atual combina dois fatores: taxas elevadas e possibilidade de travar esses retornos por vários anos. Mas, como em qualquer investimento em renda fixa, o resultado depende não só do nível dos juros, como também do prazo escolhido e da forma como o investidor decide conduzir essa aplicação ao longo do tempo.

Com informações de Seu Dinheiro.