Com o avanço da inteligência artificial (IA), discussões sobre o futuro da tecnologia se intensificaram. Entre elas, destaca-se a Teoria da Internet Morta, que propõe que a internet estaria deixando de ser um espaço dominado por pessoas e passando a ser ocupada por bots e conteúdos gerados automaticamente.

O que é a Teoria da Internet Morta?

A Teoria da Internet Morta não é um estudo acadêmico, mas uma teoria conspiratória surgida em fóruns online. Ela defende que grande parte do que se vê diariamente na internet — vídeos, imagens, publicações — seria criada por agentes de IA, e não por pessoas reais. Segundo a teoria, desde 2016 ou 2017, as interações genuínas entre humanos teriam diminuído drasticamente, enquanto perfis falsos inflariam o engajamento e comentários seriam gerados por algoritmos.

Para os defensores da ideia, mecanismos de busca como o Google filtrariam conteúdo “autêntico”, e empresas e governos manteriam exércitos de bots para moldar a opinião pública.

Origem da teoria

A ideia começou a circular em fóruns online por volta de 2010, mas ganhou destaque em 2021. Um post anônimo no fórum Macintosh Cafe, atribuído ao usuário “IlluminatiPirate”, foi um dos primeiros a descrevê-la em detalhes. O título original era “Dead Internet Theory: Most of The Internet Is Fake”. O autor afirmava que a internet teria “morrido” em 2016.

Presença de bots na internet

Bots já estão presentes em praticamente toda a internet. Segundo o relatório Imperva Bad Bot Report de 2024, quase metade do tráfego global tinha origem em acessos automatizados, sendo uma parcela relevante de bots maliciosos. Outras estimativas indicam que entre 40% e 50% do tráfego pode ser robótico.

Existem bots legítimos, como os robôs de indexação do Google, e bots maliciosos, que espalham spam, sondam vulnerabilidades ou simulam engajamento falso. As fazendas de cliques (click farms) combinam trabalho humano e automação para gerar milhões de curtidas, visualizações e seguidores falsos.

Moltbook: a rede social dos bots

O Moltbook foi um caso recente que parecia confirmar a teoria. A plataforma se apresentava como “a primeira rede social só para IAs autônomas”. Relatos indicavam que bots discutiam religião e independência. No entanto, especialistas em segurança mostraram que parte das publicações foi influenciada ou criada por humanos que se passavam por bots dentro da plataforma.

Conteúdo gerado por IA já é realidade

Um estudo de pesquisadores da Stanford University, Imperial College London e Internet Archive apontou que 35,3% dos novos sites lançados em meados de 2025 continham conteúdo produzido com auxílio de IA. Antes de 2022, esse número era praticamente inexistente.

Os principais tipos de conteúdo gerado por IA atualmente incluem:

  • Blogs, notícias e memes textuais;
  • Publicações em redes sociais, legendas e comentários;
  • Imagens, ilustrações e artes digitais;
  • Vídeos, áudios, dublagens e deepfakes;
  • Chatbots de atendimento, assistentes virtuais e código.

A teoria pode se tornar realidade?

Até o momento, não há evidências conclusivas de que a internet tenha “morrido”. Os estudos sugerem que a rede está passando por uma transformação, com conteúdos humanos e automatizados se misturando. Apesar da presença crescente de bots e IA, não existem provas de um controle centralizado capaz de substituir completamente a atividade humana online. Por isso, a Teoria da Internet Morta continua sendo vista principalmente como uma conspiração ou metáfora para discutir os efeitos da automação.

Com informações de CNN Brasil.