Pesquisadores da Tokyo Metropolitan University divulgaram, em 6 de junho de 2026, simulações que sugerem que um novo telescópio compacto de raios X pode viabilizar o primeiro mapa químico global da superfície lunar. O estudo, publicado no periódico Earth, Planets and Space, propõe uma solução para a limitação histórica de mapas parciais da composição da Lua.
Como o telescópio funcionaria?
Como não é possível coletar amostras de todas as regiões lunares, os cientistas utilizam sensoriamento remoto, como a imagem por fluorescência de raios X, que identifica elementos químicos a partir dos raios X emitidos quando a superfície é atingida pela radiação solar. O equipamento, liderado por Airi Toida e pelo professor Yuichiro Ezoe, foi projetado para operar em um satélite em órbita lunar, aproveitando períodos de fortes erupções solares para observações em larga escala.
Telescópios de raios X convencionais são grandes e pesados para missões lunares. O novo modelo pesa menos de 10 quilogramas e foi originalmente desenvolvido para estudos da magnetosfera terrestre. O detector já passou por testes em condições de radiação mais severas do que as esperadas em órbita lunar, o que pode favorecer operações de longa duração.
Simulações indicam mapeamento em até dois anos
A equipe incorporou as especificações do telescópio a uma simulação numérica de uma missão orbital lunar. Os resultados indicam que, com cerca de 300 erupções solares por ano e um único telescópio, seria possível mapear toda a superfície lunar em aproximadamente dois anos, identificando cinco elementos: oxigênio, ferro, magnésio, alumínio e silício, com grade de 70 por 70 quilômetros.
Em uma configuração mais robusta, com uma matriz de 25 telescópios (5x5), o tempo cairia para um ano. Se a missão operasse por dois anos com essa configuração, seria possível incluir o sódio e aumentar a resolução para grade de 30 por 30 quilômetros.
Ferramenta para entender a história da Lua
Segundo os autores, qualquer uma das propostas permitiria produzir o primeiro mapa global completo da abundância de elementos na Lua. Esse levantamento forneceria uma nova ferramenta para pesquisas sobre geologia lunar, ajudando a reconstruir processos de formação, transformação e evolução do satélite.
Com informações de Olhar Digital.