O Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou uma representação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que pedia a investigação de uma empresa ligada a Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por supostas irregularidades com verbas do Ministério da Educação (MEC). A decisão foi publicada em acórdão no dia 26 de maio e divulgada neste domingo (7) pela revista Veja e confirmada pelo UOL.

No documento, os ministros afirmam que a representação não apresenta indícios mínimos de irregularidade, pois se baseia essencialmente em matérias jornalísticas, sem documentos que individualizem fatos, identifiquem licitações ou contratos específicos ou delimitem responsabilidades. "A peça inicial não apresenta indícios mínimos suficientes de irregularidade ou ilegalidade", diz trecho do acórdão.

Flávio Bolsonaro pedia a apuração do destino de verbas federais enviadas à empresa Life Tecnologia Educacional, onde Carla Ariane trabalhava. Ela é ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, filho mais velho de Lula com a ex-primeira-dama Marisa Letícia (1950-2017). A denúncia citava uma investigação da Polícia Federal sobre supostos desvios na pasta, na qual Carla seria apontada como lobista da empresa junto ao MEC.

A decisão do TCU não interfere no inquérito da Polícia Federal, que continua apurando se a ex-nora do presidente usou o nome de Lula para obter reuniões em Brasília e liberação de verbas para a companhia. A Operação Coffe Break, deflagrada no final de 2024, investiga fraudes em licitações para desvios de recursos da educação em prefeituras, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU).

Segundo a investigação, apenas no município de Sumaré (SP), foram repassados à Life cerca de R$ 52 milhões entre 2021 e 2023, parte durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e parte sob Lula, com recursos do Fundeb. Carla teria continuado recebendo pagamentos em 2024. Na agenda do dono da empresa, ela é chamada de "nora".

Os advogados de Carla Ariane não se manifestaram. Desde as primeiras fases da operação, a defesa nega as acusações sem entrar em detalhes. O MEC já havia informado que não tem relação com a operação policial e não comentou o motivo de Carla ter sido recebida no prédio do ministério em uma reunião fora da agenda em 12 de julho de 2024. Procurado novamente, o ministério não se manifestou.

Com informações de Folha — Poder.