A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que um terço das exportações brasileiras seria impactado por uma tarifa de 37,5% caso as propostas do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) entrem em vigor. Atualmente, a tarifa média é de 10%, e o aumento representaria 27,5 pontos percentuais a mais. Outros 3,6% das exportações teriam acréscimo de 2,5%.
Propostas tarifárias dos EUA
O USTR propôs, no início de junho, uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com exceção de bens sujeitos a tarifas de segurança nacional. A medida é baseada na Seção 301 da Lei de Comércio, que permite investigar e retaliar práticas comerciais consideradas injustas. O órgão aponta que políticas brasileiras sobre comércio digital, certas tarifas e desmatamento ilegal seriam passíveis de ação.
Paralelamente, uma investigação sobre trabalho forçado em quase 90 países, incluindo o Brasil, foi concluída. O USTR afirma que esses países não adotam ou não aplicam efetivamente restrições à importação de bens produzidos com trabalho forçado. Para esses casos, a proposta é uma tarifa adicional de 12,5%.
Caso as duas medidas incidam sobre os mesmos produtos, a tarifa adicional total pode chegar a 37,5%.
Impacto nas exportações brasileiras
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que “a eventual imposição de novas tarifas não beneficia nenhum dos lados. Elas aumentariam custos para empresas, reduziriam a competitividade e criariam incertezas para investimentos. O caminho mais eficiente é o diálogo”.
Produtos mais afetados
A CNI listou os principais produtos que seriam impactados em cada cenário:
Com tarifa de 37,5% (25% + 12,5%):
- Ferro gusa não ligado
- Açúcar de cana em forma sólida
- Sebo não comestível
- Álcool etílico não desnaturado
- Molduras de madeira padrão de pinho
Com tarifa de 12,5% (apenas trabalho forçado):
- Minério de ferro e concentrados, pelotas aglomeradas
- Lajes de quartzito
- Óleos essenciais de frutas cítricas de laranja
- Silício
- Pasta de madeira química, sulfato ou soda, graus para dissolução
Próximos passos
As tarifas propostas não entram em vigor automaticamente. Nos dias 6 e 7 de julho, o USTR realizará audiências públicas sobre as duas investigações para discutir as medidas e receber contribuições de empresas, entidades e governos, buscando uma solução antes da aplicação oficial das taxas.