Os Estados Unidos anunciaram a intenção de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras, com base na Seção 301, instrumento usado para punir práticas consideradas desleais. A medida, ainda não definitiva, tem prazo até 15 de julho para confirmação. O governo brasileiro estima que cerca de 21% das exportações para os EUA podem ser afetadas.
Produtos sensíveis ao mercado americano, como café, carne, suco de laranja, petróleo, gás, medicamentos e itens da indústria aeronáutica, ficariam de fora da tarifa. Entre as justificativas de Washington está o Pix, acusado de favorecer um campeão nacional. O Brasil rebateu que o Pix é uma infraestrutura pública gratuita para pessoas físicas, aberta e neutra.
O economista Bernardo Guimarães, em coluna na Folha, defendeu que o Pix é eficiente e que os cartões são 'parasitas', pois o sistema de pagamento instantâneo custa cerca de um centavo por transação ao Banco Central, enquanto empresas privadas cobram por serviços que poderiam ser gratuitos. A jornalista Patrícia Campos Mello, também na Folha, destacou que o tarifaço pune o Brasil por práticas que os EUA também adotam, como desmatamento e falhas anticorrupção, citando a suspensão da Lei de Práticas Estrangeiras de Corrupção por Trump.
Flávio Bolsonaro e a política por trás da tarifa
O senador Flávio Bolsonaro, após viagem a Washington, afirmou ter defendido empresas brasileiras e divulgou carta a Marco Rubio pedindo que Trump não taxasse o Brasil, culpando Lula pela crise. Trump publicou foto com Flávio no Salão Oval, chamando-o de 'jovem inteligente'. O presidente Lula acusou a família Bolsonaro de sabotar negociações, chamou Flávio de 'imbecil' e disse que cobrará explicações de Trump. Nos bastidores, o governo busca conter danos com diálogo diplomático e a Lei de Reciprocidade.
Gilmarpalooza em Lisboa: esvaziamento e críticas
O evento acadêmico organizado pelo ministro Gilmar Mendes, conhecido como Gilmarpalooza, teve presença reduzida de empresários e ministros do STF e STJ nesta edição. Oficialmente, reuniu 432 palestrantes e 2.400 participantes, mas a diminuição de figuras ligadas ao caso Master e a ausência de nomes como Tarcísio de Freitas indicam que o evento se tornou um 'passivo a ser evitado'. Gilmar Mendes chamou as críticas de ingênuas.
Com informações de Revista Piauí.