A Administração da Guarda Costeira de Taiwan (CGA) informou neste domingo (7.jun.2026) que enviou 5 navios-patrulha para monitorar embarcações chinesas que participam de uma operação de fiscalização em águas ao leste da ilha. Segundo a CGA, foram identificados 4 navios que partiram de Xiamen, na província de Fujian, rumo ao sudoeste de Taiwan. Até o momento, nenhum navio chinês entrou em águas consideradas por Taiwan como de sua soberania, e o tráfego marítimo ao redor da ilha permanece normal.

A operação marítima chinesa foi anunciada no sábado (6.jun) e não está diretamente relacionada à disputa entre China e Taiwan. Ela ocorre como reação a um acordo firmado na semana passada durante a visita do presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., ao Japão. Na ocasião, o líder filipino e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, concordaram em iniciar negociações sobre disputas fronteiriças entre os dois países no oceano Pacífico.

Japão e Filipinas não fazem fronteira, mas têm o direito de projetar uma zona econômica exclusiva (ZEE) que se estende por 200 milhas náuticas (370 km) de suas costas. Se essas zonas forem medidas a partir das ilhas de Yaeyama, cerca de 400 km a sudoeste de Okinawa, e da ilha Mavulis, território mais ao norte das Filipinas, as áreas exclusivas dos países se sobrepõem no oeste do Pacífico.

As ZEEs não se sobrepõem apenas entre si, mas também com Taiwan, que fica entre o Japão e as Filipinas. Após o anúncio das negociações, Taiwan manifestou preocupação sobre a delimitação e informou que procurou autoridades dos dois países para entender os detalhes. “Taiwan busca a confirmação de que o futuro processo de negociação e os resultados dos acordos relevantes entre os dois países não afetarão os direitos soberanos concedidos a Taiwan de acordo com o direito internacional e o direito do mar”, declarou o Ministério das Relações Exteriores de Taiwan na quarta-feira (3.jun).

O anúncio também acendeu alerta na China, que considera Taiwan parte integral de seu território. Ao se pronunciar sobre as negociações entre Japão e Filipinas, o governo chinês declarou que a região em disputa já é controlada pela China e tem sua soberania respaldada por leis internacionais. Uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou na terça-feira (2.jun) que as pretensões separatistas de Taiwan se mostram mais uma vez um instrumento para o enfraquecimento da região. “Isso expõe, mais uma vez, que as forças da ‘independência de Taiwan’ perderam completamente sua postura nacional e se tornaram verdadeiros traidores da nação, destinados a serem desprezados por compatriotas de ambos os lados do Estreito e sujeitos ao acerto de contas histórico”, declarou a porta-voz.

Aliança Japão-Filipinas

A China monitora de perto a aproximação diplomática entre Japão e Filipinas, dois países com quem Pequim não mantém as melhores relações. Além da negociação sobre as ZEEs, os governos também querem concluir acordos bélicos, incluindo a venda de armas do Japão para as Filipinas. Após o governo de Takaichi flexibilizar as exportações de armamentos, as Filipinas buscaram negociar a compra de equipamentos bélicos. Um negócio já avançado é o envio de navios do tipo destroyer e aeronaves TC-90 produzidos pelo Japão às Filipinas. Será a primeira venda de artigos militares do Japão para qualquer país desde que Takaichi assumiu o governo.

Com informações de Poder360.