Autoridades de saúde alertaram na terça-feira (16) que o surto de ebola no leste da África pode piorar significativamente, com potencial para durar até um ano e infectar milhares de pessoas, caso as taxas atuais de transmissão continuem sem controle. O surto, que já é um dos maiores já registrados, concentra-se principalmente na República Democrática do Congo (RDC), onde a desconfiança nas autoridades e a violência nas regiões orientais têm dificultado o trabalho dos profissionais de saúde.
Números e comparações
De acordo com os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África), o surto já ultrapassou 800 casos confirmados e quase 200 mortes. Para efeito de comparação, o pior surto de ebola registrado ocorreu entre 2014 e 2016 na África Ocidental, matando mais de 11 mil pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Declarações de autoridades
Jean Kaseya, diretor-geral do CDC África, afirmou durante uma conferência de emergência sobre ebola para líderes africanos na terça-feira: "Se não pararmos o surto muito em breve, será pior do que o que tivemos na África Ocidental e no leste da RDC." As declarações foram reforçadas por outros funcionários e especialistas em saúde, que destacaram os enormes obstáculos enfrentados pelos profissionais de saúde no terreno.
Bruno Michon, coordenador da resposta ao ebola no Congo pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, disse que a doença está avançando rápido. "Estamos correndo atrás da doença", declarou. Segundo Michon, o surto levará meses para ser contido e, se as taxas de infecção continuarem subindo, pode se estender por até um ano.
Desafios no combate ao surto
As autoridades manifestaram preocupação especial com o fato de o surto se espalhar em uma área onde o estigma e a desinformação afastam as pessoas dos centros de tratamento. Além disso, as medidas de saúde pública têm entrado em conflito com práticas tradicionais de sepultamento, dificultando o controle da transmissão.
Resposta internacional
Líderes africanos apelaram por ajuda contínua no combate à doença. Na cúpula do G7, realizada na França na terça-feira, os líderes das principais nações industrializadas do mundo emitiram uma declaração conjunta pedindo uma "resposta coordenada" para enfrentar o surto.