O superávit da balança comercial brasileira cresceu 10,8% em maio na comparação com o mesmo mês de 2025, impulsionado pelo aumento das exportações de soja e de cobre. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

No mês passado, as exportações somaram US$ 31,904 bilhões, alta de 6,6% ante maio de 2025, enquanto as importações totalizaram US$ 24,081 bilhões, crescimento de 5,3% na mesma base. Com isso, o saldo positivo ficou em US$ 7,823 bilhões, quarto maior da série histórica para o mês, atrás apenas de maio de 2023 (US$ 10,978 bilhões), 2021 (US$ 8,536 bilhões) e 2024 (US$ 8,302 bilhões).

Acumulado do ano

Nos cinco primeiros meses de 2026, o superávit acumulado atingiu US$ 32,662 bilhões, valor 34,2% superior ao registrado no mesmo período de 2025. As exportações no período somaram US$ 148,571 bilhões (+8,7%) e as importações, US$ 115,908 bilhões (+3,2%). O resultado é o terceiro maior da série histórica para o período, perdendo apenas para 2024 (US$ 35,227 bilhões) e 2023 (US$ 34,540 bilhões).

Segundo o Mdic, além da recuperação das commodities, o crescimento do superávit acumulado reflete a importação de uma plataforma de petróleo em fevereiro de 2025, operação que não se repetiu em 2026.

Setores e produtos

Na agropecuária, as exportações cresceram 9,8% em maio, com alta de 6,1% no volume e 2,8% no preço médio. Os destaques foram soja (+14,6%), algodão bruto (+45,3%) e milho não moído (+267,2%). A soja foi o item que mais contribuiu em valor absoluto, com aumento de US$ 804,1 milhões nas vendas externas, impulsionada pela safra e pela alta nos preços.

Na indústria extrativa, as exportações recuaram 1,9%, puxadas pelo petróleo, cujas vendas caíram 9,3% em valor e 42,1% em volume, apesar da alta de 56,7% no preço médio. A queda no volume está parcialmente relacionada à alíquota temporária de 12% de Imposto de Exportação de petróleo, imposta em meados de março. Por outro lado, o minério de cobre registrou alta de 149,4% nas exportações, com incremento de US$ 617,9 milhões em valor.

Na indústria de transformação, as exportações subiram 9%, com alta de 1% no volume e 7,4% no preço médio. Os principais produtos foram carne bovina (+50,2%), combustíveis (+75,2%) e ouro não monetário (+56,7%).

Em contrapartida, as exportações de café despencaram 24,5% em maio, com redução de US$ 297,6 milhões nas vendas, devido à queda de 8,6% no volume e de 13,4% no preço médio.

Importações

O crescimento das importações em maio foi puxado principalmente por veículos, cujas compras externas subiram US$ 833,5 milhões. Na agropecuária, destacaram-se pescados (+38,1%), produtos hortícolas (+26,6%) e soja (+24,4%). Na indústria extrativa, fertilizantes brutos (+68,4%), carvão não aglomerado (+59,8%) e linhita e turfa (+115,1%). Na indústria de transformação, combustíveis (+45,2%), válvulas e tubos termiônicos (+49%) e automóveis de passageiros (+80,1%).

Projeções

O Mdic projeta para 2026 um superávit comercial de US$ 72,1 bilhões, alta de 5,9% em relação aos US$ 68,1 bilhões de 2025. As exportações devem encerrar o ano em US$ 364,2 bilhões (+4,6%) e as importações em US$ 280,2 bilhões (+4,2%). Novas estimativas detalhadas serão divulgadas em julho.

As projeções oficiais são menos otimistas que as do mercado. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas, a balança comercial deve fechar 2026 com superávit de US$ 76,2 bilhões, projeção que subiu após o início da guerra no Oriente Médio.

Com informações de Agência Brasil — Economia.