A confirmação de um Super El Niño coloca o agronegócio brasileiro e os consumidores em alerta. O fenômeno climático atinge o país em um período de fragilidade econômica no campo, com potencial para elevar os preços dos alimentos e da energia elétrica em todo o território nacional.

O que é o Super El Niño

O El Niño é o aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico. Quando esse aquecimento supera os 2,0 °C, ele é classificado como 'muito forte' ou Super El Niño. Essa alteração modifica o clima global, provocando chuvas excessivas em algumas regiões e secas severas em outras, com impacto direto no ciclo de plantio e colheita.

Impactos regionais no Brasil

O país enfrentará uma divisão climática com contrastes marcantes. No Sul, a previsão é de chuvas torrenciais e inundações que prejudicam a qualidade dos grãos. Já o Norte e o Nordeste devem sofrer com secas severas, reduzindo o nível dos rios. O Centro-Oeste, principal polo de produção de grãos, lidará com chuvas irregulares e períodos de calor intenso fora de época.

Tempestade econômica no campo

O campo já enfrenta dificuldades financeiras antes mesmo da piora climática. Os produtores rurais lidam com dívidas altas, queda nos preços das commodities e juros elevados que encarecem os empréstimos. Com margens de lucro apertadas, qualquer perda de safra causada pelo clima pode levar a um aumento recorde nos pedidos de recuperação judicial.

Consequências para o consumidor

A crise chega ao consumidor por meio da inflação. Com a produção comprometida, alimentos como carne, hortaliças e grãos tendem a ficar mais caros nos supermercados. Além disso, a seca no Norte reduz o volume das represas das hidrelétricas, obrigando o governo a acionar usinas térmicas, que são mais caras e pesam diretamente na conta de luz dos brasileiros.

Projeções de inflação e juros

O mercado financeiro projeta que o fator climático pode elevar o IPCA (índice oficial de inflação) em até 0,8 ponto percentual, ficando acima da meta estabelecida. Esse cenário de preços altos em alimentos e energia cria um ciclo no qual o Banco Central se vê obrigado a manter as taxas de juros elevadas por mais tempo para tentar conter o custo de vida.