O estudante Stuart Angel Jones, torturado e morto pela ditadura militar em 1971, receberá um diploma póstumo em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A cerimônia está marcada para 7 de julho, às 16h30, no salão dourado da universidade, conforme anúncio do centro acadêmico que leva o nome do ex-aluno do Instituto de Economia.

Stuart Angel, então com 25 anos, foi sequestrado e assassinado por agentes da repressão em maio de 1971, sem conseguir concluir o curso. Ele era militante do MR-8, grupo armado de resistência ao regime, e tornou-se um dos desaparecidos políticos mais conhecidos do período, graças às denúncias da mãe, a estilista Zuzu Angel, no Brasil e no exterior.

Segundo a irmã de Stuart, Hildegard Angel, em declaração a jornalistas nesta sexta-feira (5), ele foi assassinado na Base Aérea do Galeão e até hoje a família desconhece o destino do corpo, "se em terra ou se no mar". Hildegard lembrou que, "como tantos outros estudantes naqueles anos sombrios, ele não pode concluir seus estudos".

Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade em 2014, o ex-guerrilheiro Alex Polari afirmou que Stuart foi torturado até a morte para revelar o paradeiro de Carlos Lamarca, ex-capitão do Exército e líder da VPR. O estudante e ex-remador teve a boca amarrada próxima ao escapamento de um jipe que circulava no pátio da prisão, inalando gás carbônico.

Apenas em 2019 a morte de Stuart foi registrada no atestado de óbito como "não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistêmica e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985".

O desaparecimento do filho levou Zuzu Angel a abordar autoridades brasileiras e estrangeiras, conceder entrevistas e realizar desfiles de moda denunciando a falta de informações. A música "Angélica", de Chico Buarque e Miltinho, composta um ano após a morte da estilista, em 1976, retrata as buscas de Zuzu por Stuart.

O anúncio da diplomação póstuma ocorreu no dia do aniversário de Zuzu Angel, nascida em 5 de junho de 1921. Antes do acidente que a matou — provocado por agentes da ditadura, como revelado posteriormente —, ela entregou a Chico Buarque um bilhete: "Se algo vier a acontecer comigo, se eu aparecer morta, por acidente, assalto ou qualquer outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho."

Em agosto do ano passado, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, entregou à família a certidão de óbito retificada de Zuzu Angel, confirmando que sua morte também foi violenta e causada pelo Estado brasileiro.

Hildegard Angel afirmou que "aquele período de chumbo continua a assombrar nossas vidas e a memória do país" e que "os que ficaram, os que esqueceram de matar" têm o compromisso de continuar buscando a verdade e os restos mortais dos desaparecidos.

Com informações de Folha — Cotidiano.