O estudante Stuart Angel Jones, torturado e morto durante a ditadura militar (1964-1985), receberá diploma póstumo de economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A cerimônia está marcada para o dia 7 de julho, às 16h30, no salão dourado da universidade. O anúncio foi feito pelo centro acadêmico que leva o nome do ex-aluno do Instituto de Economia.

Stuart, que integrava o MR-8 (grupo armado de resistência ao regime), foi sequestrado e morto em maio de 1971, aos 25 anos, sem concluir o curso. Ele é um dos desaparecidos políticos mais conhecidos do período, em grande parte devido às denúncias feitas pela mãe, a estilista Zuzu Angel.

Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade em 2014, o ex-guerrilheiro Alex Polari afirmou que Stuart foi torturado até a morte para revelar o paradeiro de Carlos Lamarca, ex-capitão do Exército e líder da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Segundo o relato, o estudante e ex-remador teve a boca amarrada próxima ao escapamento de um jipe que circulava no pátio da prisão, inalando gás carbônico.

Apenas em 2019, a morte de Stuart foi inscrita no atestado de óbito como "não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistêmica e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985".

Hildegard Angel, irmã de Stuart, disse a jornalistas nesta sexta-feira (5): "Como tantos outros estudantes naqueles anos sombrios, ele não pode concluir seus estudos". Ao compartilhar a notícia, lembrou que o irmão foi assassinado na Base Aérea do Galeão e que a família ainda desconhece o paradeiro do corpo, "se em terra ou se no mar".

O desaparecimento levou Zuzu Angel a abordar autoridades brasileiras e estrangeiras, conceder entrevistas e realizar desfiles de moda denunciando a falta de informações sobre o filho. A música "Angélica", de Chico Buarque e Miltinho, composta em 1976, retrata as buscas de Zuzu por Stuart. Antes de morrer em um acidente posteriormente atribuído a agentes da ditadura, ela entregou a Buarque um bilhete: "Se algo vier a acontecer comigo, se eu aparecer morta, por acidente, assalto ou qualquer outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho."

Em agosto de 2023, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, entregou à família de Zuzu a certidão de óbito retificada, informando que a morte dela também foi violenta e causada pelo Estado brasileiro.

"Aquele período de chumbo continua a assombrar nossas vidas e a memória do país", afirmou Hildegard. Para ela, "os que ficaram, os que esqueceram de matar" têm o compromisso de continuar buscando a verdade e os restos mortais dos desaparecidos.

Com informações de Folha — Poder.