O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de inquéritos que detalham como o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, financiou viagens e hospedagens de alto padrão para o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). Em contrapartida, os parlamentares supostamente atuavam para favorecer os interesses econômicos da instituição financeira no Congresso Nacional.

De acordo com documentos da Polícia Federal (PF), a relação entre Vorcaro e os políticos ia além de uma amizade pessoal, configurando um arranjo para obtenção de benefícios mútuos. Os investigadores apontam que o banqueiro financiava uma vida de luxo para parlamentares influentes, enquanto estes defendiam pautas de interesse do banco.

Benefícios recebidos por Ciro Nogueira

As investigações indicam que Ciro Nogueira teve despesas pagas em hotéis de luxo em Nova York, jantares em restaurantes caros e uso de aeronaves particulares. Vorcaro também teria disponibilizado um imóvel de alto padrão ao senador e autorizado o uso de seu cartão de crédito pessoal para gastos durante viagens internacionais. A PF identificou que, após receber essas regalias, o parlamentar apresentou emendas legislativas que favoreciam diretamente o Banco Master.

Envolvimento de Hugo Motta

O deputado Hugo Motta é citado em mensagens de WhatsApp que tratam da organização de voos em jatos privados de Vorcaro. A investigação também descobriu o pagamento de aproximadamente R$ 20 mil em diárias para Motta em um hotel de luxo em Lisboa, em junho de 2024. Em declaração, o deputado afirmou estar tranquilo, alegando que participou de um evento jurídico tradicional e não vê irregularidade no custeio das despesas.

A "Emenda Master"

A chamada "Emenda Master" foi uma proposta apresentada por Ciro Nogueira em 2024 para alterar as regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), espécie de seguro que protege o dinheiro dos clientes em bancos. Segundo a PF, o texto da emenda foi elaborado pela própria assessoria do Banco Master e enviado a Vorcaro antes de ser formalizado pelo senador no Congresso Nacional.

Investigação paralela sobre ameaças

Um inquérito paralelo apura ameaças feitas por Joana Mourão, irmã de um ex-parceiro comercial de Vorcaro conhecido como "Sicário". Após a morte do irmão, ela teria ameaçado divulgar segredos que poderiam destruir a família do banqueiro. Em resposta, Joana relatou ter recebido vídeos de homens armados com fuzis como forma de intimidação. A PF descobriu que o grupo de Vorcaro tentou monitorar as investigações e silenciar testemunhas com pagamentos.