O Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF) articulam nos bastidores para definir quem será o relator de uma eventual investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O caso tem como centro um áudio em que o parlamentar solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar a produção do filme 'Dark Horse', cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O montante envolvido é de R$ 60 milhões.
Disputa pela relatoria
Atualmente, o ministro André Mendonça é o relator natural de investigações relacionadas ao Banco Master. No entanto, opositores do senador e setores da PF articulam para que o caso seja transferido para Alexandre de Moraes ou para um novo ministro a ser sorteado. A definição do relator é estratégica, pois caberá a ele conduzir interrogatórios, autorizar buscas e quebras de sigilo.
O áudio e a suspeita
No áudio divulgado, Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro para a produção do filme. O senador afirma que a relação é estritamente comercial e que o objetivo é lucrar com a bilheteria. A PF, porém, investiga se o aporte de R$ 60 milhões pode mascarar interesses políticos ou compra de influência.
Pedidos de deslocamento
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitou que o caso seja anexado a um inquérito já existente contra Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tramita sob a relatoria de Alexandre de Moraes. O argumento é que o dinheiro supostamente destinado ao filme poderia ter financiado campanhas internacionais de Eduardo contra instituições brasileiras. A defesa de Flávio Bolsonaro nega as acusações e pediu o afastamento de Moraes por falta de imparcialidade.
Existem ainda outras duas possibilidades em andamento. A PF pode pedir a abertura de um inquérito totalmente novo e específico sobre o áudio, o que geraria um sorteio entre os dez ministros do STF. Além disso, o ministro Flávio Dino também figura como opção, pois já apura suposto uso irregular de emendas parlamentares dirigidas à produção do mesmo filme.
Próximos passos e impacto político
No momento, não há uma investigação formal aberta. O caso está em fase preliminar e qualquer efeito sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto em 2026 é improvável no curto prazo. Para que a candidatura seja barrada, seria necessária uma condenação judicial definitiva, o que está distante. O maior impacto imediato é o desgaste da imagem pública do senador diante das suspeitas.