A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou, por unanimidade, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. A decisão também o torna inelegível por oito anos. A acusação sustenta que ele articulou, dos Estados Unidos, retaliações do governo Donald Trump contra autoridades brasileiras para interferir no julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado.

Repercussão internacional

A condenação foi amplamente noticiada pela imprensa internacional. O jornal britânico The Guardian contextualizou que Eduardo se mudou para os Estados Unidos em 2025, meses antes do julgamento do pai, e buscou apoio do governo Trump. O veículo também lembrou o congelamento de contas e bens determinado pelo STF em julho do ano passado. Já o The Times, de Londres, manchetou: “Filho de Jair Bolsonaro é condenado por fazer lobby nos EUA em relação a julgamento sobre golpe.”

A rede Al Jazeera destacou que "a condenação é o mais recente revés jurídico para a família Bolsonaro, que continua sendo uma força dominante da direita na política brasileira." A NBC News americana ressaltou a contestação da defesa, que alega insuficiência de provas, e informou que Eduardo reside no Texas desde fevereiro de 2025. A agência Reuters enfatizou a inelegibilidade por oito anos, apontando que ele era considerado um potencial herdeiro político do bolsonarismo.

Contexto jurídico e político

Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo crime de coação no curso do processo, que caracteriza a tentativa de intimidar ou interferir em investigações judiciais. A acusação afirma que ele, a partir dos Estados Unidos, articulou retaliações do governo Trump contra o Brasil e autoridades brasileiras com o objetivo de barrar o julgamento do pai. Jair Bolsonaro foi condenado em setembro por tentativa de golpe de Estado e cumpre prisão domiciliar humanitária.

Antes da condenação, Eduardo já havia sofrido outras medidas. Em julho, um juiz do STF ordenou o congelamento de suas contas bancárias e bens, sob a alegação de que recursos enviados pelo pai financiavam a campanha de pressão sobre o governo Trump. Em dezembro, a Câmara dos Deputados o destituiu do cargo e cortou seu salário por faltar a mais de um terço das sessões deliberativas de 2025.

Consequências para a direita bolsonarista

Com a condenação, Eduardo Bolsonaro fica inelegível por oito anos, o que retira do horizonte de curto e médio prazo a possibilidade de ele herdar a liderança do bolsonarismo nas urnas. O quadro atual é de um ex-parlamentar sem mandato, sem salário, com bens bloqueados, condenado criminalmente e vivendo no Texas, enquanto o pai cumpre prisão domiciliar no Brasil. A decisão do STF representa mais um capítulo no estreitamento do espaço político e jurídico da família que dominou a cena conservadora brasileira por quase uma década.